Aruanda Mundi

culturas negras, história, arte, educação, entretenimento

Espaço de debates e divulgação de pesquisas e outras formas de conhecimentos e artes que valorizam as culturas africanas e afro-brasileiras.

Música

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Notas da Radiola

Tambor de Crioula - Trecho de vídeo institucional produzido para o IPHAN dentro do processo de registro da manifestação do Tambor de Crioula como patrimônio imaterial do Brasil

Fururum de Sergio Souto é uma
composição que ele fez para o espetáculo de dança "A cor da lua" de Armando Pekeno para o Balé do Teatro Castro Alves.
Esta é a segunda versão com arranjo reelaborado para o grupo Vozes Reveladas e que faz parte do CD que está para ser lançado.
Fururum é baseado num canto-tributo a Oxalá que foi passado para Sergio pelo próprio Pekeno, que além de dançarino e coreógrafo é filho da casa de Gantois.

Música Pelo Telefone
Das cordas do violão de Donga nasceu o samba como o conhecemos hoje. Prece, na raiz da palavra africana, o gênero musical estava ainda preso à tradição das religiões afro-brasileiras que o compositor conheceu na infância, no Rio de Janeiro, quando freqüentava rodas de samba e candomblé nos terreiros das "tias" baianas, cantadeiras, festeiras e mães-de-santo. Ernesto Joaquim Maria dos Santos sempre foi Donga, apelido familiar desde menino. Exceto por um curto período, em 1914, quando usou o nome Zé Vicente para participar do Grupo de Caxangá.
Passou a infância entre ex-escravos e negros baianos. Aprendeu o jongo, o afoxé e outras danças. Começou a tocar cavaquinho de ouvido, e passou para o violão nas aulas do grande Quincas Laranjeiras. Iniciou-se na composição com "Olhar de Santa" e "Teus Olhos Dizem Tudo" (anos mais tarde, o jornalista David Nasser faria as letras). Participava das reuniões na casa da lendária Tia Ciata, junto com João da Baiana e Pixinguinha. Em 1917, gravou o primeiro disco de samba da história: "Pelo Telefone", registrado em nome de Donga e Mauro de Almeida -- mas suspeita-se que Mauro tenha feito apenas o registro por escrito.
Em 1919, ao lado de Pixinguinha e outros seis músicos, integrou o grupo Os Oito Batutas, que excursionou pela Europa em 1922. Da França Donga traz um violão-banjo e, em 1926, integra o grupo Carlito Jazz para acompanhar a companhia francesa de revistas Ba-Ta-Clan, que se exibia no Rio de Janeiro. Com esse conjunto viaja outra vez à Europa. Volta em 1928, quando forma a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que gravou para o selo Parlophon nos anos 20 e 30. Neste mesmo período participa de duas outras bandas Guarda Velha e Diabos do Céu, ambas formadas por Pixinguinha para gravações.
Em 1940, a bordo do navio Uruguai, Donga gravou nove composições (entre sambas, toadas, macumbas e lundus) do disco "Native Brazilian Music", organizado por dois maestros: o norte-americano Leopold Stokowski e o brasileiro Heitor Villa-Lobos, lançado nos Estados Unidos pela Columbia. No final dos anos 1950 voltou a se apresentar com o grupo Velha Guarda, em shows organizados por Almirante.
"Olha esse ponteado, Donga!" Essa exclamação com que Almirante incentivava o violão solista do grupo, está em um dos discos mais famosos da história da música popular brasileira, e é uma das marcas da fase de sedimentação do samba no Rio de Janeiro.

As criações mais conhecidas de Donga são "Passarinho Bateu Asas", "Bambo-Bamba", "Cantiga de Festa", "Macumba de Oxóssi", "Macumba de Iansã", "Seu Mané Luís" e "Ranchinho Desfeito". Viúvo em 1951, casou-se novamente em 1953 e morreu em 1974, no bairro de Aldeia Campista, no Rio, para onde se retirou como oficial de Justiça aposentado. Doente e quase cego, viveu seus últimos dias na Casa dos Artistas. Está sepultado no Cemitério de São João Batista.

Hino da África do Sul
Nkosi Sikeleli Africa

Nkosi Sikelel' iAfrika
Versão Xhosa

Nkosi Sikelel' iAfrika
Maluphakanyisw' uphondo lwayo
Yiva imathandazo yethu
Nkosi Sikelela Nkosi Sikelela

Nkosi Sikelel' iAfrika
Maluphakanyisw' uphondo lwayo
Yiva imathandazo yethu
Nkosi Sikelela
Thina lusapho lwayo.

Chorus
Yihla moya, yihla moya
Yihla moya oyingcwele
Nkosi Sikelela
Thina lusapho lwayo.
(Repeat)

Morena Boloka Sechaba sa Heso
Versão Sesotho

Morena boloka sechaba sa heso
O fedise dintwa le matshwenyeho,
Morena boloka sechaba sa heso,
O fedise dintwa le matshwenyeho.
O se boloke, o se boloke,
O se boloke, o se boloke.
Sechaba sa heso, Sechaba sa heso.
O se boloke morena se boloke,
O se boloke sechaba, se boloke.
Sechaba sa heso, sechaba sa heso.

Ma kube njalo! Ma kube njalo!
Kude kube ngunaphakade.
Kude kube ngunaphakade!

Nkosi sikelel' iAfrika
Versão Zulu

Nkosi, sikelel' iAfrika,
Malupnakanyisw' udumo lwayo;
Yizwa imithandazo yethu
Nkosi sikelela,
Nkosi sikelela,

Nkosi, sikelel' iAfrika,
Malupnakanyisw' udumo lwayo;
Yizwa imithandazo yethu
Nkosi sikelela,
Nkosi sikelela,

Woza Moya (woza, woza),
Woza Moya (woza, woza),
Woza Moya, Oyingcwele.
Usisikelele,
Thina lusapho lwayo.

Deus abençoe a África
Que suas glórias sejam exaltadas
Ouça nossas preçes
Deus nos abençoe, porque somos seus filhos

Deus, cuide de nossa nação
Acabe com nossos conflitos
Nos proteja, e proteja nossa nação
À África do Sul, nação África do Sul

Fórum

Salomão Jovino da Silva

lei 10.639 27 respostas 

O que voce sabe sobre a lei 10.639? Voce tem conhecimentos da sua aplicação na sua escola, faculdade, cidade?

Iniciado por Salomão Jovino da Silva. Última resposta de Salomão Jovino da Silva 8 horas atrás .

irene izilda da silva

Dia da mulher afro-latino-americana e afro-caribenha 5 respostas 

Esta data criada em 1992 no I Encontro de Mulheres Negras do caribe e da América Latina. (25 de julho) O que mais sabemos a respeito desta data ou mesmo destas mulheres.

Iniciado por irene izilda da silva. Última resposta de Baby Amorim 1 Ago.

Sergio Souto

“Será que o negro nem na hora de morrer tem dignidade?” 4 respostas 

A juíza baiana Luislinda Valois é a entrevistada da Muito deste domingo. Leia trechos que ficaram de fora da revista: Infância Nasci em Salvador, morava na Av. Barros Reis. Depois meus pais fix...

Tag: negra, juiza, Valois, Luislinda

Iniciado por Sergio Souto. Última resposta de Mariluce Santana Vida 14 Ago.

Baby Amorim

Você sabe... 2 respostas 

Quem são os pesquisadores Kabenguele Munanga e Demétrio Magnoli?

Iniciado por Baby Amorim. Última resposta de Idalina M. Almeida de Freitas 28 Set.

Hélio Boechat Seródio

"Na África também tem branco...."!!?? 2 respostas 

Vou contar uma histórinha que aconteceu no meu espaço cultural aqui em Berlim (vivoartspace.com). Estava realizando um evento de uma ONG de esquerda aqui de Berlim. Eles até se preocupam bastante c...

Iniciado por Hélio Boechat Seródio. Última resposta de Salomão Jovino da Silva 30 Jul.

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Dicas da Aruanda

Neste sábado, 31, na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre
O livro é da escritora negra mineira Cidinha da Silva que inaugura um novo estilo, a literatura infantil. A sessão de autógrafos marcada para sábado terá início às 19 horas no Ateliê da Imagem no Armazém A do Cais do Porto.
Cidinha da Silva é escritora e parceira de MARIA MULHER - Organização de Mulheres Negras. A cada ano, especialmente nesta época, quando as ruas de Porto Alegre são tomadas pelo lilás dos jacarandás, pelos ipês amarelos e azáleas incrivelmente coloridas, Cidinha brinda as mulheres e homens gaúchos com uma nova criação literária. Desta vez, a mineira, historiadora, ensaista e ativista do movimento de mulheres negras devotou um olhar especial para as crianças e adolescentes e inspirada escreveu Os nove pentes d'África, seu primeiro livro de conto infanto-juvenil.
A publicação será apresentada, pela primeira vez no país, em noite de autógrafos na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre, neste sábado, 31/10, cujo patrono, o jornalista e escritor Carlos Urbim tem, igualmente, nas crianças o foco de suas histórias. Este é o quarto livro de Cidinha da Silva que deve repetir o sucesso de vendas de suas obras anteriores.
O evento está marcado para as 19 horas no Ateliê da Imagem, localizado no Armazém A do Cais do Porto. A promoção é de MARIA MULHER com apoio da Liga Brasileira de Lésbicas e Grupo Mulheres Rebeldes. Antes da sessão de autógrafos, às 17 horas, no mesmo local, a autora estará participando dos Diálogos sobre Literatura a convite de organizações do movimento feminista e de mulheres.
Crianças e adultos - A mais recente obra literária de Cidinha da Silva foi feita para o público infantil, mas terá, com certeza, leitura disputada pelos adultos. A história construída em 56 páginas, com ilustração da atriz Iléa Ferraz, é lançamento da Mazza Edições, editora de Belo Horizonte, Minas Gerais.
Na apresentação de seu novo livro, a escritora expressa que "Os nove pentes d'África" tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá, personagem condutor, são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianos da narrativa.
O livro de Cidinha da Silva cativa pelo universo das relações familiares, no respeito à sabedoria dos mais velhos e à ancestralidade africana. A autora faz sua estréia num campo de poucos autores dedicados a escrever histórias para crianças e adolescentes.
Estímulo necessário - A motivação, segundo a autora, veio de casa, da família "e em especial dos pequenos, uma sobrinha, com seis anos, em processo de alfabetização, soletrava as letras do Tridente - referência ao seu segundo livro Cada Tridente em seu lugar" -. Aquilo me comovia e angustiava. Expliquei que se tratava de um livro para adultos, por isso as letras eram pequenas e daí sua dificuldade para ler. Ela então me perguntou: "- Tia quando você vai escrever livros para crianças?".
Na indagação infantil o estímulo necessário para a escritora mergulhar nesse novo processo criativo. Cidinha da Silva está fascinada pela experiência. "Creio que ficarei neste este caminho por algum tempo. Estou determinada a ser lida pelos pequenos da minha casa, enquanto são pequenos, e fico felicíssima quando meus sobrinhos levam meus livros para a biblioteca da escola em que estudam, ou quando encontram meus livros por lá e vêm me contar. É delicioso sentir que eles têm orgulho de mim e agora poderão ler minha literatura sem esforço, apenas por prazer".
Outras publicações da autora - "Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras", de 2003, um livro de ensaios organizado por Cidinha da Silva com a parceria de sete outros autores e autoras. "Cada tridente em seu lugar", já em segunda edição (2006/2007), é o seu primeiro livro de ficção. Em 2008, Cidinha da Silva publica "Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor", um conjunto de 26 textos, entre crônicas e mini-contos, que gira em torno das afetividades, da sexualidade, do amor e do corpo. Depois da Feira do Livro, suas publicações poderão ser encontradas na Palavraria - Rua Vasco da Gama, 165, Bom Fim, 51 32684260.
Serviço
O que é: Lançamento do livro de Cidinha da Silva: Os nove pentes d´África
Quando: sábado, 31 de outubro de 2009
Horário: 19 horas
Onde: Ateliê da Imagem, localizado no Armazém A do Cais do Porto - Porto Alegre/RS
Depois da Feira do Livro, suas publicações poderão ser encontradas na Palavraria - Rua Vasco da Gama, 165, Bom Fim, 51 32684260.

African Studies Programs, Research Centers, & Universities
This document provides access to information available on the Internet. For a broader view of the study of Africa at institutions around the world and volunteer programs in Africa.
Programas de Estudos e Centro de Pesquisas & Universidades.
Este site fornece acesso a informações disponíveis na Internet.
O ojetivo é fornecer uma visão mais ampla sobre os estudos sobre África em instituições ao redor do mundo e programas voluntários em África.
http://www.columbia.edu/cu/lweb/indiv/africa/cuvl/afstprog.html

Amkoullel, O Menino Fula
Amadou Hampátê Bâ
São Paulo: Casa das Áfricas/Palas Athena, 2007 (primeira edição 2003)
Na África, cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima. A frase, do malinês Amadou Hampâté Bâ, expressa a importância da transmissão oral no continente e a sensação de ouvir um sábio africano relatar suas experiências: é como se vários livros se abrissem, com uma profusão de detalhes, para dar voz às histórias e às tradições locais.
A venda na Casa das Áfricas
www.casadasafricas.org.br

Lançamento do livro A Lenda da Pemba

O que é pemba?
A Pemba, de origem africana, é um instrumento
Ritualístico de alto significado na cultura africana e afro-brasileira.
Confecciona-se a Pemba com uma substância chamada “caulim” (argila pura de cor branca), importado da África.
Lá na África, ainda hoje, os chefes das aldeias esfregam a pemba no corpo em situações de confronto com inimigos, os negociantes a esfregam nas mãos para ter sucesso nos negócios e, nos casamentos, os padrinhos passam a pemba no rosto do noivo e da noiva para atrair a felicidade e manter a união.
Cá no Brasil, a pemba está presente nos rituais dos cultos de origem africana como um instrumento sagrado.
Acredita-se que, por conter a força vital que une o reino dos vivos e o reino dos mortos, os desenhos realizados com ela têm o poder de estabelecer o contato com as entidades do mundo invisível.( trecho do livro páginas 28 e 29
Porque é objeto sagrado?
A lenda narra a história de uma princesa e um guerreiro que se apaixonam, mas não podem viver o seu amor porque a jovem deve ser preservada em homenagem aos ancestrais.
Flagrados em um encontro discreto, o jovem é morto pelos guerreiros do reino. e a moça tem o seu corpo transformado no sagrado pó que, em sua homenagem foi batizado como Pemba.
Reconto da cultura africana, A lenda da Pemba conta a história de uma paixão impossível que cria uma das mais belas histórias da mística mundial sobre a crença no bem e na manutenção da felicidade, da harmonia e do amor materializado.
Assim, Mipemba, que era tão bela e alegre, ainda espalha o amor, a harmonia e a felicidade para todos aqueles que tocam em seu corpo, agora transformado no sagrado pó-de-pemba. ( techo do livro página29)
Porque o livro é importante?
Africanidades é um tema que está em pauta para reflexão, em todas as esferas da sociedade e cada vez mais se exige o conhecimento da história, arte e cultura africana sem o véu do folclore que minimiza sua importância junto ás matrizes indígenas e européia.
Vale chamar a atenção em relação à alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n°. 9394/96 (LDBEN), trazida pela Lei Federal de no. 10639/03, que torna obrigatório o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira no Currículo Oficial de Ensino e da regulamentação da Lei 10639/03 pelo Parecer CNE/CP 003/2004 e pela Resolução CNE/CP 1/2004 que dispõem sobre as Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (DNERHCA).
Quem reconta?

Márcia Regina é autora da Coleção Didática de Artes do Sistema Anglo de Ensino, co-autora do livro Rap e Educação, Rap é Educação com o artigo “O Movimento Hip Hop como registro do sentir e do desejar da Summus Editorial, e co-autora do livro De olho na Cultura: um ponto de vista afro-brasileiro. desenvolve e acompanha projetos e pesquisas metodológicas em Arte-Educação e Educação para a Diversidade.
Atualmente, é docente do ensino superior atuando na área de artes e tem se dedicado á pesquisa e publicações sobre artes e culturas africana e afro-brasileira
Quem ilustra?

Rosana Paulino obteve o título de Bacharel em Gravura pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo em 1995 e o de especialista em gravura pelo London Print Studio, Londres em 1998.
Participou de varias exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior, e algumas de suas obras fazem parte do acervo de importantes coleções públicas como MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, Brasil, Pinacoteca Municipal – Centro Cultural São Paulo, SP, Brasil e Universidade Federal de Uberlândia – Uberlândia, MG, Brasil.
Saber mais sobre Rosana Paulino ver:
http://www.rosanapaulino.blogspot.com
Márcia e Rosana. Um dia um encontro. Conversa vai conversa vem e vai e vem. Em pouco tempo ficaram sabendo que compartilham a paixão pelas imagens e pela educação. Ficaram sabendo também que compartilham, na vida, as referências que no Brasil bebem em fontes das culturas africanas. Um dia Mais que encontro, a oportunidade de criação conjunta.
A venda na Larousse e principais livrarias.
http://www.larousse.com.br/

Livro "O Branqueamento do Trabalho"
Focado na segunda metade do século XIX o livro aborda a transição do trabalho escravo para o trabalho livre na cidade de São Paulo, as ocupações exercidas por negros libertos, sua incipiente ascensão social e como posteriormente foram excluídos do mercado de trabalho assalariado.
O texto, desenvolvido sob orientação da professora doutora Vera Lucia Amaral Ferlini, se baseia em documentação dos arquivos do Estado, do Município, da Cúria Metropolitana, do Tribunal de Justiça e de vasta bibliografia onde se destacam Florestan Fernandes, Clovis Moura, Maria Odila Leite da Silva Dias e Lilia Schwarcz. É resultado de dissertação de mestrado defendida em 2007 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
O autor sustenta que a exclusão econômica, matriz da exclusão social, à que os negros brasileiros foram relegados, é resultado de um conjunto de ações protagonizadas pelo setor mais dinâmico e poderoso da classe dominante de então – os cafeicultores paulistas – materializadas no incentivo a imigração de italianos, espanhóis, portugueses, alemães e diversos outros povos, para ocuparem os postos de trabalho antes destinados aos escravos.
A opção por marginalizar os ex-escravos e seus descendentes seria resultado de uma concepção racista desenvolvida pelas elites intelectuais brasileiras a partir de elaborações teóricas como o darwinismo social e a eugenía que teriam dado origem a “Ideologia do Branqueamento”.
Esta “ideologia” pregava que o Brasil era um país “atrasado e selvagem” porque a maioria da sua população, composta de índios, negros e mestiços, era inferior e incivilizável, sendo necessário “branqueá-la”. Para tanto deveria se promover a entrada de milhares de imigrantes europeus, “civilizados, trabalhadores, superiores do ponto de vista moral, espiritual, cultural, mental e físico”.
Assim, parte dos negros, uma vez libertos, teriam sido condenados aos trabalhos menos importante para a economia do País, com alto grau de informalidade, pior remunerados, insalubres e em muitos casos em situações análogas à escravidão. A outra parte teria se deparado com o desemprego estrutural e hereditário com todas as conseqüências advindas daí.
O resultado, conclui o historiador, é que a República e o capitalismo no Brasil se constroem sob a égide do racismo, com profundo desprezo pelo trabalhador nacional e baseados em desigualdades entre negros e brancos que se mantém até os dias de hoje.

Ramatis Jacino, nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul em 11 de junho de 1957, filho de um carteiro e uma costureira, a época ex-militantes do Partido Comunista.
Mora em São Paulo desde 1972. Foi servente de pedreiro, balconista, porteiro, auxiliar de escritório, gráfico, motorista e vendedor. Militante político desde 1974, participou de diversas organizações de luta contra o racismo. Fundador do PT e da CUT, já foi vice-presidente do Diretório Municipal deste partido na cidade de São Paulo. Professor efetivo de História na rede pública estadual é lotado na Escola Estadual República da Guatemala, em Itaim Paulista, extremo leste da cidade de São Paulo. Assessora a Direção Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores e é membro da direção paulista da Central Única dos Trabalhadores. Doutorando em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH da Universidade de São Paulo, é mestre em História Econômica pela mesma Universidade, sob orientação da professora doutora Vera Lucia Amaral Ferlini.
Sua graduação foi no ano de 2000, na Universidade Braz Cubas em Mogi das Cruzes.

O Branqueamento do Trabalho, Ramatis Jacino. Nefertiti Editora Ltda., 2008, 168 páginas. História econômica do Brasil (1872/1890). Áreas de interesse: História, Geografia, Sociologia, Antropologia, Economia. Pedidos com o autor: ramatis@pt.org.br

Cem Anos e Mais de Bibliografia sobre o Negro no Brasil
(obra revisada, corrigida e ampliada - classificação por assunto)
Organizador: Kabenguele Munanga
Pesquisadores: Antonia de Lourdes dos Santos e Kabenguele Munanga
cem anos e mais kabenguele munanga.pdf

Dica de Blogs e Sites

A Cor da Cultura - A Cor da Cultura é um projeto educativo de valorização da cultura afro-brasileira, fruto de uma parceria entre o Canal Futura, a Petrobras, o Cidan – Centro de Informação e Documentação do Artista Negro, a TV Globo e a Seppir – Secretaria especial de políticas de promoção da igualdade racial. O projeto teve seu início em 2004 e, desde então, tem realizado produtos audiovisuais, ações culturais e coletivas que visam práticas positivas, valorizando a história deste segmento sob um ponto de vista afirmativo.
http://www.acordacultura.org.br/

Aruanda Mundi
www.aruandamundi.com

Ballet Folclórico da Bahia
O BALÉ FOLCLÓRICO DA BAHIA (BFB), única companhia de dança folclórica profissional do país, foi criado em 1988 por Walson Botelho e Ninho Reis e apresenta, desde então, um significativo currículo de atividades, especialmente os prêmios e turnês nacionais e internacionais, além de um considerável prestígio refletido na resposta do público e da crítica especializada.
http://www.balefolcloricodabahia.com.br

Bamanan - Língua e Cultura Bambara (em francês)
http://www.bamanan.org/

Blog Terreiro de Mauá
Terreiro de Maua

Casa das Áfricas - Espaço cultural e de estudos sobre sociedades africanas
Clique aqui

Casa de Cultura da Mulher Negra
Programas Desenvolvidos pela CCMN:
Violência doméstica, racial e sexual Por uma Educação sem Discriminação
Comunicação
Centro de Documentação e Pesquisa Carolina de Jesus
Capacitação de Mulheres e Adolescentes Negras
Geração de Renda & Resgate Cultural
Casa de Cultura da Mulher Negra

Donaba - Site Francês sobre Cultura Malinkê.
Clique aqui

Fundação Cultural Palmares - formula e implanta políticas públicas que têm o objetivo de potencializar a participação da população negra brasileira no processo de desenvolvimento, a partir de sua história e cultura.
Clique aqui

Géledes Instituto da Mulher Negra
Organização política de mulheres negras que tem por missão institucional a luta contra o racismo e o sexismo, a valorização e promoção das mulheres negras, em particular, e da comunidade negra em geral.
http://www.geledes.org.br/

Ilú Obá De Min - Educação, Cultura e Arte Negra
www.iluobademin.com.br

Jornal Ìrohìn - O Ìrohìn nasce em 1996 como fruto da movimentação em torno da Marcha Zumbi 300 anos, contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida (1995). Sediado em Brasília - capital do país e sede de governo - em seus primeiros anos o Ìrohìn se propõe a dois objetivos: articular as organizações do movimento negro para acompanhamento de políticas governamentais de promoção da comunidade afro-brasileira por meio da capacitação de lideranças negras para esse acompanhamento; e acompanhar a atuação do Congresso Nacional em assuntos diretamente relacionados aos direitos e promoção da comunidade afro-brasileira.
Clique aqui

Mazza Edições
MAZZA EDIÇÕES reflete em seu catálogo o empenho de escritores e leitores, que acreditam na construção de uma sociedade baseada na ética, na justiça e na liberdade. Acreditando nisso, a MAZZA EDIÇÕES investiu na publicação de autores / autoras negro(a)s e de livros que abordam os diversos aspectos da cultura afro-brasileira relacionada, por sua vez, a um largo segmento das populações excluídas no Brasil.
Mazza Edições

Som Negro Músicas Africanas e de Influência Africana
http://somnegro.wordpress.com/

Quilombhoje Literatura
Dentre as várias propostas do Quilombhoje estão as de incentivar a leitura e dar visibilidade a textos e autores afro-descendentes.
http://www.quilombhoje.com.br/
 

Fotos

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Etiópia

Especial Solano Trindade

Como parte das comemorações no Mês da Consciência Negra, uma programação que pretende aproximar o público da obra do poeta, dramaturgo e ator Solano Trindade.


Exposição PICHA chega ao Brasil e destaca universo das Histórias em Quadrinhos Africanas

Exposição PICHA chega ao Brasil e destaca universo das Histórias em Quadrinhos africanas
De 15 de outubro a 08 de novembro
Picha reúne obras de artistas de 16 países do Continente Africano, além de originais de desenhos, álbuns, revistas , publicações e um importante banco de dados com informações sobre desenhistas, chargistas e caricaturistas. Além dos artistas africanos, participam da mostra o norte-americano David Brown, que virá ao Brasil especialmente para participar da programação do evento e o cartunista brasileiro e co-curador da exposição, Maurício Pestana, apresentando semelhanças e diferenças dos desenhos afro-descendentes destes dois países, junto com seus pares na África. A curadoria é da professora e pesquisadora de Histórias em Quadrinhos, Dra. Sonia M. Bibe Luyten.
Fonte: Museu Afro Brasil

Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

Inscrições até 20 de novembro
O Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero integra o Programa Mulher e Ciência, da Secretaraia Especial de Políticas para as Mulheres, e tem como objetivo estimular a produção científica
e a reflexão acerca das relações de gênero, mulheres e feminismo no país, e de promover a participação das mulheres no campo das ciências e carreiras acadêmicas.
As inscrições podem ser feitas em 5 categorias:
1) Mestre e Estudante de Douturado
2) Graduado, Especialista e Estudante de Mestrado
3) Estudante de Graduação
4) Estudante do Ensino Médio
5) Escola Promotora de Igualdade de Gênero
Mais Informações: www.igualdadedegenero.cnpq.br

Dia 07/11 no Colégio Vértice de São Paulo apresentação do Projeto Safari Cultural da habitante Lilian Sodré.
Para conferir a programação clique no arquivo: Safári Cultural.pdf

NEA ONNIM NO SUA A, OHU - Quem não sabe, pode saber aprendendo

Sabedoria do Oeste Africano : Símbolos Adinkra & Significados

NEA ONNIM NO SUA A, OHU "Quem não sabe, pode saber aprendendo"
símbolo do conhecimento, da instrução longa da vida e da procura continuada para o conhecimento
Os símbolos africanos conhecidos como Adinkra estão presentes no Gana, país do oeste Africano, situado entre a Costa do Marfim e Togo. Em roupas e paredes, em cerâmica e logotipos, os símbolos dos Asantes podem ser encontrados em todos os lugares.

O jongo, ritmo e dança

O jongo, ou caxambu é um ritmo que teve suas origens na região africana do Congo-Angola. Chegou ao Brasil-Colônia com os negros de origem bantu trazidos como escravos para o trabalho forçado nas fazendas de café do Vale do Rio Paraíba, no interior dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.
A demanda por mão-de-obra para o trabalho na mineração e nas fazendas de café intensificou o tráfico negreiro. Com a decadência econômica de outras regiões do país, uma massa imensa de escravos imigrou para o Sudeste onde, em alguns momentos, mais da metade da população era formada por africanos, a maioria de ascendência bantu.
A influência da nação bantu foi fundamental na formação da cultura brasileira.
Para acalmar a revolta e o sofrimento dos negros com a escravidão e distrair o tédio dos brancos, os donos das isoladas fazendas de café permitiam que seus escravos dançassem o jongo nos dias dos santos católicos.
Para esses negros africanos e seus filhos, o jongo era um dos únicos momentos permitidos de trocas e confraternização.
O jongo é uma dança profana para o divertimento, mas uma atitude religiosa permeia a festa. Antigamente, só os mais velhos podiam entrar na roda. Os jovens ficavam de fora observando. Os antigos eram muito rígidos com os mais novos e exigiam muita dedicação e respeito para ensinar os segredos ou “mirongas” do jongo e os fundamentos dos seus pontos.
Os pontos do jongo têm linguagem metafórica cifrada, exigindo muita experiência para decifrar seus significados. Os jongueiros eram verdadeiros poetas-feiticeiros, que se desafiavam nas rodas de jongo para disputar sabedoria. Com o poder das palavras e uma forte concentração, buscavam encantar o outro por meio da poesia do ponto de jongo. Quem recebesse um ponto enigmático tinha que decifrá-lo na hora e respondê-lo (”desatar o ponto”). Caso contrário, ficava enfeitiçado, “amarrado”, chegando a desmaiar, perder a voz, se perder na mata, ou até mesmo morrer instantaneamente. Atualmente esses fatos não acontecem mais.
O jongo é uma dança dos ancestrais, dos pretos-velhos escravos, do povo do cativeiro, e por isso pertence à “linha das almas”. Contam que aquele que tem a “vista forte” é capaz de enxergar um antigo jongueiro falecido se aproximar da roda para relembrar o tempo em que dançava o caxambu.
Contam também que alguns jongueiros, à meia-noite, plantavam no terreiro uma muda de bananeira que, durante a madrugada, crescia e dava frutos distribuídos para os presentes.
Até hoje, alguns núcleos familiares de afro-descendentes persistem em manter viva a tradição do jongo.

A festa

Os negros montam uma fogueira e iluminam o terreiro com tochas.
Do outro lado, armam uma barraca de bambu para os pagodes, um arrasta-pé onde os casais dançam o calango ao som da sanfona de oito baixos e pandeiro.
À meia-noite, a negra mais idosa e responsável pelo jongo interrompe o baile, sai da barraca e caminha para o terreiro de “terra batida”
É hora de acender a fogueira e formar a roda. As fagulhas da fogueira sobem pro céu e se misturam com as estrelas. Ela se benze nos tambores sagrados, pedindo licença aos pretos-velhos - antigos jongueiros que já morreram - para iniciar o jongo.
Improvisa um verso e canta o primeiro ponto de abertura. Todos respondem cantando alto e batendo palmas com grande animação. O baticum dos tambores é violento. O primeiro casal se dirige para o centro da roda. Começa a dança.
Durante a madrugada, os participantes assam na fogueira batata-doce, milho e amendoim. Alguns fumam cachimbo, tomam cachaça, café ou caldo de cana quente para se esquentar.
O jongo é muito animado e vai até o sol raiar, quando todos cantam para saudar o amanhecer ou “saravá a barra do dia”.
Dança-se o jongo no dia 13 de maio, consagrado aos pretos-velhos, nos dias de santos católicos de devoção da comunidade, nas festas juninas, nos casamentos e, mais recentemente, em apresentações públicas.

Dança

Os jongueiros dançam muitas vezes descalços, vestindo as roupas comuns do dia-a-dia.
O jongo é uma dança de roda e de umbigada. Um casal de cada vez dirige-se para o centro da roda girando em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. De vez em quando, aproximam-se e fazem a menção de uma umbigada. A umbigada no jongo é de longe.
Logo um outro entra roda, pedindo licença: “Dá uma beirada cumpadre!” ou “Bota fora ioiô!” Os casais, um de cada vez, vão se revezando até de manhã numa disputa de força, ginga e agilidade.
Durante a dança, o casal trava uma comunicação pelo olhar, que vai determinando o deslocamento pela roda e o momento da umbigada.
No jongo da Serrinha, existe um passo que se chama “tabiá”, uma pisada forte com o pé direito.

Os instrumentos
O jongo é dançado ao som de dois tambores, um grave (caxambu ou tambu) e um agudo (candongueiro). O repicar do candongueiro atravessa os vales, avisando aos jongueiros das fazendas distantes que é noite de jongo.
Os tambores são feitos de tronco de árvores escavados com um pedaço de couro fixado com pregos numa das extremidades. São de origem bantu e conhecidos em Angola e no Brasil como “ngoma”. Antes do jongo começar, eles são aquecidos no calor da fogueira, que estica o couro e afina o som.
Em alguns locais, os tambores são acompanhados por uma cuíca de som grave, a angoma -puíta ou onça (na África chamada de “mpwita”), e por um chocalho de palha trançada com fundo de cabaça, chamado guaiá.
Durante a madrugada, os tambores começam a ficar úmidos de sereno, perdendo o som. Por isso são levados várias vezes para perto do fogo para serem afinados. Enquanto esperam, os jongueiros vão para a barraca dançar o calango.
Os tambores são sagrados, pois tem o poder de fazer a comunicação com o outro mundo, com os antepassados, indo “buscar quem mora longe”. No início da festa, os jongueiros vão se benzer, tocando levemente no seu couro em sinal de respeito.
Mestre Darcy inventou um terceiro tambor solista reproduzindo as células rítmicas emitidas pelos sons guturais que saiam da garganta da jongueira centenária Vovó Tereza quando essa dançava o jongo.

Pontos

O canto do jongo é responsorial. É cantado primeiramente pelo solista, com versos livres improvisados, e o refrão respondido por todos.
Os pontos de jongo têm frases curtas que retratam o contato com a natureza, fatos do cotidiano, o dia-a-dia de trabalho braçal nas fazendas e a revolta com a opressão sofrida. São cantados no linguajar do homem rural, com sotaque de preto-velho, e gungunados, numa espécie de som gutural bem resmungado saído do peito.
Os pontos misturam o português com heranças do dialeto africano de origem bantu, o quimbundo. São criados de improviso e exigem grande criatividade, agilidade mental e poesia, muito comuns aos negros bantus.
Os jongueiros trocaram o sentido das palavras criando um novo vocabulário passando a conversar entre si por meio dos pontos de jongo numa linguagem cifrada. Só alguém com muita experiência consegue entender os seus significados. Assim, os escravos se comunicavam por meio de mensagens secretas, que muitas vezes protestavam contra a escravidão, zombavam dos patrões publicamente, combinavam festas de tambor e fugas.
Quando algum jongueiro quer cantar um outro ponto, interrompendo o anterior, ele põe as mãos no couro dos tambores e grita a palavra “ machado” ou “cachoeira”. Isso cala os tambores, interrompendo o ponto anterior e a dança para que o jongueiro em seguida “tire” um novo ponto.
Os pontos podem ser de diversos tipos:
abertura ou licença - para iniciar a roda de jongo
louvação - para saudar o local, o dono da casa ou um antepassado jongueiro
visaria - para alegrar a roda e divertir a comunidade
demanda, porfia ou “gurumenta”
- para a briga, quando um jongueiro desafia seu rival a demonstrar sua sabedoria
encante - era cantado quando um jongueiro desejava enfeitiçar o outro pelo ponto
encerramento ou despedida - cantado ao amanhecer para saudar a chegada do dia e encerrar a festa

O jongo e o samba

O jongo influenciou decisivamente o nascimento do samba no Rio de Janeiro. No início do século 20 o jongo era o ritmo mais tocado no alto das primeiras favelas pelos fundadores das escolas de samba antes mesmo do samba nascer e se popularizar. Os antigos sambistas da velha guarda das escolas de samba realizavam rodas de jongo em suas casas. Nessas festas visitavam-se uns aos outros, recebendo também jongueiros do interior.
Os versos do partido-alto e do samba de terreiro são inventados na hora pelo improvisador. Esse canto de improviso nasceu das rodas de jongo. A umbigada, que na língua quimbundo se chama “semba”, originou o termo samba e também faz parte do samba primitivo. A “mpwita”, instrumento congo-angolano presente no jongo, é a avó africana das cuícas das baterias das escolas de samba.
O jongo, por ser uma festa de divertimento, mas com aspectos místicos, fez com que a dança se restringisse aos ambientes familiares. Por isso, ao contrário do samba, que logo conseguiu hegemonia nacional, acabou sendo pouco divulgado. O fato do jongo ser praticado apenas por idosos e proibido para os mais jovens foi outro fator que levou a dança a um processo acelerado de extinção.

Bibliografia recomendada sobre a Serrinha e o jongo:
“Serra, Serrinha, Serrano - O Império do Samba”, de Rachel e Suetônio Valença, José Olympio, 1981.
“Jongo e Candomblé, primos-irmãos”, de Paulo Dias, 2000.
“O jongo”, de Maria de Lourdes Borges Ribeiro, FUNARTE, 1984.
“Jongo da Serrinha - do terreiro aos palcos”, de Edir Gandra, GGE, 1985.
“Silas de Oliveira, do jongo ao samba-enredo”, de Marília T. Barbosa e Artur L. de Oliveira Filho, FUNARTE, 1981.
“Contribução Bantú na Música Popular Brasileira”, de Kazadi wa Mukuna, Terceira Margem, 2000.
“Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro”, de Roberto Moura.
Fonte: http://jongodaserrinha.com/blog/?page_id=12

Missa Luba
A Missa Luba é uma verssão da Missa Latina baseada em canções tradicionais do Congo. Foi arranjada pelo padre franciscano belga Guido Haazen, tendo sido cantada e gravada pela primeira vez em 1958 por "Les Troubadours du Roi Baudouin", um coro de crianças e adolescentes de Kamina.
1. História
O padre Guido Haazen chegou ao Congo Belga em 1953, vindo da bélgica. Em 1954, fundou o Troubadours (que deve seu nome ao rei Baudouin I da Bélgica) como um coro de 45 garotos dos 9 aos 14 anos, além de 15 professores da escola central de Kamina. Em 1958 o grupo excursionou pela europa para e chegou a se apresentar com os Meninos Cantores de Viena. Existia um grande grau de improvisação nas performances, baseadas em canções tradicionais. O Sanctus, por exemplo, se baseia em uma canção de despedida Kiluba. [1]

A primeira gravação, feita em 1958, apresenta o vocalista solo Joachim Ngoi, foi lançada pela Philips em 1963 no Reino Unido e inclui, num dos lados, uma seleção de canções usadas como base para a Missa Luba. As seções do Sanctus e do Benedictus foram lançadas também como um single, que esteve por algum tempo na parada musical do Reino Unido. Em 2004 a Philips lançou a gravação original em CD. O CD, contudo, inclui apenas a missa, sem as versões das canções originais do Congo. Foi lançado também um DVD gravado em 2000. O CD inclui também a Missa Criolla e a Missa Flamenca interpretadas por outros artistas.
Desde os anos 1960 a Missa Luba foi gravada por outros coros, incluindo The Muungano National Choir of Nairobi e o Washington Choral Arts Society.
Padre Haazen faleceu em 2004.

1 de Novembro - Morte do escritor Lima Barreto

Romancista, cronista. Fez seus primeiros estudos como interno no Liceu Popular Niteroiense, prestando, após alguns anos, exames para o Ginásio Nacional. Em 1896, matriculou-se no Colégio Paula Freitas, freqüentando o curso preparatório à Escola Politécnica, onde ingressou no ano seguinte. Em 1903, ingressou na Diretoria de Expediente da Secretaria de Guerra, abandonando o curso de engenharia, passando a sustentar a família, já que seu pai enlouquecera e sua mãe havia falecido. Em 1914, foi internado pela primeira vez no Hospício Nacional, por alcoolismo, sendo aposentado através de decreto presidencial. Foi preterido nas promoções da Secretaria de Guerra por sua participação, como jurado, no julgamento dos acusados no episódio denominado «Primavera de Sangue» (1910), que condenou os militares envolvidos no assassinato de uma estudante. Em 1919, esteve pela segunda vez internado no hospício. Candidatou-se duas vezes a membro da Academia Brasileira de Letras; na primeira vez, seu pedido não foi considerado; na segunda, não conseguiu ser eleito. Posteriormente recebeu menção honrosa desta Academia. Fez sua primeira colaboração na imprensa ainda em 1902. Influenciado pela Revolução Russa, a partir de 1918 passou a militar na imprensa socialista, publicando no semanário alternativo ABC um manifesto em defesa do comunismo. Colaborou nos periódicos Correio da Manhã, Gazeta da Tarde, Jornal do Commercio, Fon-Fon, entre outros. Lançou em 1907, com amigos, a revista Floreal, que teve editados apenas quatro números.


1 de Novembro - É criado o Bloco Afro Ilê Aiyê

ILÊ AIYÊ, primeiro bloco afro da Bahia, inicia sua história em 1º de novembro de 1974, no Curuzu-Liberdade, bairro de maior população negra do pais: 600 mil habitantes.
O objetivo da entidade é preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira, para isso, desde que foi fundado, vem homenageando os países, nações e culturas africanos e as revoltas negras brasileiras que contribuíram fortemente para o processo de fortalecimento da identidade étnica e da auto-estima do negro brasileiro, tornando populares os temas da história africana vinculando-os com a história do negro no Brasil, construindo um mesmo passado, uma linha histórica da negritude.  
O seu movimento rítmico musical, inventado na década de 70, foi responsável por uma revolução no carnaval baiano. A partir desse movimento, a musicalidade do carnaval da Bahia ganha força com os ritmos oriundos da tradição africana favorecendo o reconhecimento de uma identidade peculiar baiana, marcadamente  negra. O espetáculo rítmico-musical e plástico que o bloco exibe no Carnaval emociona baianos e turistas e arranca aplausos da população.  
A riqueza plástica e sonora do Ilê Aiyê retoma todas as formas expressadas na evolução dos movimentos de renascimento negro-africano, negro-americano ou afro-americano, as decodifica para o contexto específico da realidade baiana, sem perder de vista a relação de identificação entre todos “os negros que se querem negros” em qualquer parte do mundo, ressaltando sempre o caráter comum da origem ancestral, de um passado comum que nos irmana.
Com 3 mil associados, o Ilê Aiyê é hoje um patrimônio da cultura baiana, um marco no processo de reafricanização do Carnaval da Bahia.
Fonte: http://www.ileaiye.org.br/

31 de Outubro - Nascimento de Luiz Silva - Cuti, poeta, dramaturgo e co-fundador do Quilombhoje / 1951

Cuti é pseudônimo de Luiz Silva. Nasceu em Ourinhos-SP, a 31.10.51. Formou-se em Letras (Português-Francês) na Universidade de São Paulo, em 1980. Mestre em Teoria da Literatura e Doutor em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem – Unicamp (1999/2005). Foi um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura, de 1983 a 1994, e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros, de 1978 a 1993.

OBRAS
Poemas da carapinha. São Paulo : Ed. do Autor, 1978.
Batuque de tocaia. São Paulo : Ed. do Autor, 1982 (poemas).
Suspensão. São Paulo : Ed. do Autor, 1983 (teatro).
Flash crioulo sobre o sangue e o sonho. Belo Horizonte : Mazza Edições, 1987 (poemas).
Quizila. São Paulo : Quilombhoje, 1987 (contos).
A pelada peluda no Largo da Bola. São Paulo : Editora do Brasil, 1988 (novela juvenil).
Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro. São Paulo : Eboh, 1991.
Negros em contos. Belo Horizonte : Mazza Edições, 1996.
Um desafio submerso: Evocações, de Cruz e Sousa, e seus aspectos de construção poética. Campinas (SP) : Unicamp, 1999 (dissertação de mestrado).
Sanga. Belo Horizonte : Mazza Edições, 2002 (poemas).
A consciência do impacto nas obras de Cruz e Sousa e de Lima Barreto. Campinas (SP) : Unicamp, 2005 (tese de doutorado).
Negroesia. Belo Horizonte : Mazza Edições, 2007 (poemas).
...E disse o velho militante José Correia Leite. São Paulo : Secretaria Municipal de Cultura, 1992; São Paulo : Noovha América, 2007 (memórias),
CO-AUTORIA
ALVES, Miriam; XAVIER, Arnaldo; CUTI [Luiz Silva]. Terramara. São Paulo : Ed. dos Autores, 1988 (teatro).
ASSUMPÇÃO, Carlos de; CUTI [Luiz Silva]. Quilombo de palavras. Franca : Estúdio MIX, 1997 (CD - poemas).
CUTI [Luiz Silva]; FERNANDES, Maria das Dores (Orgs.). Consciência Negra do Brasil: Os Principais Livros. Belo Horizonte : Mazza Edições, 2002. (Bibliografia comentada).
TEXTOS EM ANTOLOGIAS
SOL na garganta. São Paulo : Ed. dos Autores, 1970 (2 contos).
CUTI [Luiz Silva] (org.1-5); QUILOMBHOJE (org.6-26). Cadernos negros 1 a 16 e 18 a 29. São Paulo : Ed. dos Autores, 1978-1993; Quilombhoje/Editora Anita, 1995-1998; Quilombhoje, 1999-2006 (poemas e contos).
COLINA, Paulo (org.). Axé: antologia contemporânea da poesia negra brasileira. São Paulo : Global, 1982.
QUILOMBHOJE (org.). Reflexões sobre a literatura afro-brasileira. São Paulo : Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, 1985 (ensaio).
CAMARGO, Oswaldo de (org.). A razão da chama. São Paulo : GRD, 1986 (poemas).
ALVES, Miriam; XAVIER, Arnaldo; CUTI [Luiz Silva] (org.). Criação crioula, nu elefante branco. São Paulo : IMESP, 1987 (ensaios do I Encontro de Poetas e Ficcionistas Negros Brasileiros, SP, 1985).
DUBOC, Julia (org.). Pau de sebo: antologia de poesia negra. Brodowski : Projeto Memória da Cidade, 1988.
CAMARGO, Oswaldo de. "Antologia Temática". In:_____. Negro escrito. São Paulo : IMESP, 1988 (poemas e conto).
AUGEL, Moema Parente (org.). Schwarze poesie - Poesia negra. Tradução por Johannes Augel. St. Gallen; Köln : Diá, 1988 (poemas em alemão e português).
WILMS, Anno (fotografia). Ismael Ivo - Körper und tanz. Tradução por Aristides Barbosa do poema "Vínculo", de Cuti [Luiz Silva]. St. Gallen ; Berlin ; São Paulo : Diá, 1990 (poema em português, inglês e alemão).
LEHMANN, Reinhardt (Redaktion). ad libitum Sammlung Zerstreuung. nr. 17. Berlin : Volk und Welt, 1990 (poemas em alemão).
BERND, Zilá (org.). Poesia negra brasileira. Porto Alegre : AGE; IEL; IGEL, 1992 (poemas).
AUGEL, Moema Parente (org.). Schwarze prosa - Prosa negra. Tradução por Johannes Augel; Marianne Gareis. St. Gallen ; Berlin ; São Paulo : Diá, 1993 (contos em alemão).
ROWELL, Charles H. (edit.) Callalloo – African Brazilian Literature: a special issue, vol.18, n. 4. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1995 (entrevista, contos e peça teatral, em português e inglês).
ROWELL, Charles H. (edit.) Ancestral House. Colorado : Westview Press, 1995 (conto em inglês).
JATOBÁ, Roniwalter (org.). Trabalhadores do Brasil: histórias cotidianas do povo brasileiro. São Paulo : Geração Editorial, 1998 (conto).
SILVA, Jônatas Conceição da; BARBOSA, Lindinalva Amaro (orgs.). Quilombo de palavras – a literatura dos afro-descendentes. Salvador : CEAO/UFBA, 2000 (poemas).
FONSECA, Maria Nazareth Soares (org.) Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte : Autêntica, 2000 (ensaio).
FIGUEIREDO, Maria do Carmo Lanna; FONSECA, Maria Nazareth Soares (orgs.). Poéticas Afro-Brasileiras. Belo Horizonte : Mazza : PUC Minas, 2002. (ensaio).
KENNEL, Odile; WOHLFAHRT, Thomas (orgs.). Weltklang – Nacht der Poesie. Berlin : Edition Diá, 2002 (poemas em alemão).
FELISBERTO, Fernanda (org.). Terra de Palavras. Rio de Janeiro : Pallas; Afirma, 2004 (conto).

A PALAVRA NEGRO
A palavra negro
tem sua história e segredo
veias do São Francisco
prantos do Amazonas
e um mistério Atlântico

A palavra negro
tem grito de estrelas ao longe
sons sob as retinas
de tambores que embalam as meninas
dos olhos

A palavra negro
tem chaga tem chega!
tem ondas fortesuaves nas praias do apego
nas praias do aconchego

A palavra negro
que muitos não gostam
tem gosto de sol que nasce

A palavra negro
tem sua história e segredo
sagrado desejo dos doces vôos da vida
o trágico entrelaçado
e a mágica d'alegria

A palavra negro
tem sua história e segredo
e a cura do medo
do nosso país

A palavra negro
tem o sumo
tem o solo
a raiz.
Fonte: www.cuti.com.br

24 de Outubro - Nascimento do poeta e jornalista Oswaldo de Camargo, co -fundador do Quilombhoje / 1936

A quem interessar possa: quem é Oswaldo Camargo
(Entrevista concedida ao Portal Afro) "Oswaldo de Camargo é jornalista, poeta, contista, novelista e músico amador. Acha pouco? Saiba que provavelmente seja a maior autoridade brasileira em literatura negra. Desde os 17 anos, Oswaldo de Camargo dedica-se a literatura e a seu acervo literário, um dos mais brilhantes quando o assunto é negritude. Nascido em 1.936, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, ele é um dos responsáveis pela inclusão da literatura negra no circuito cultural do Brasil. Dono de um raciocínio ágil e aguçada inteligência, Oswaldo de Camargo surpreende por todo conhecimento que possui sobre os escritores negros brasileiros e livros que tratam da temática negra. Sobre este assunto, publicou em 1987 "O Negro Escrito", pela Imprensa Oficial do Estado, um dos raros trabalhos a tratar dos ainda marginalizados autores negros. Acompanhe a entrevista concedida pelo grande estudioso e descubra o maravilhoso mundo da literatura. Boa leitura! Portal – Podemos usar a expressão "literatura negra"? Existe literatura negra? Oswaldo de Camargo - Acredito que a partir do momento que o negro resolve falar de sua realidade e identidade como negro, trazendo as marcas de sua história, mesmo dentro de uma língua portuguesa, ortodoxa, acadêmica, que seja, se ele conseguir fazer isso com arte e se essa literatura estiver sancionada por uma produção, ela existirá. A produção existe. É fato. Portanto, atestada pela produção, a literatura negra existe. Quando o negro pega suas experiências particulares e traz, sobretudo o "eu", a persona negra, com suas vivências, que um branco pode imitar mas não pode ter, o nome que damos a isso é literatura negra. Portal – Quando surge essa literatura negra no Brasil? É possível identificar suas fases até os dias atuais? Oswaldo de Camargo - Ela começa a existir a partir do momento que o negro olha para si mesmo e passa a contar como negro suas experiências particulares, suas memórias, sua vida, suas diferenças, sua identidade, mesmo que esta escrita tenha como base um português camoneano. A grosso modo podemos iniciar este movimento com Luís Gama ao escrever o poema "Bodarrada", que traz o problema da identidade negra. Um texto como "Bodarrada" só poderia ter saído de um negro. O branco não pode idealizar isto, pois o autor está trazendo sua experiência particular de negro. É verdade que podemos citar, no século XVIII, Domingos Caldas Barbosa, mas aí de uma maneira mais enfraquecida, o "Eu", mesmo, aparece apenas com Luís Gama. Depois vem Cruz e Souza com "Consciência Tranqüila", "Escravocratas" e sobretudo "Emparedado". Essas obras são particularíssimas, jorram de dentro de um "Eu" negro. Continuando, podemos lembrar Lima Barreto e dizer que uma nova fase da literatura negra se inicia em 1926, quando aparece a figura de um poeta pobre e pequeno, Lino Guedes, que escreve com os olhos voltados para a comunidade negra. A diferença é que Luiz Gama e Cruz e Souza escreveram sobre o negro, mas não para um público negro. Já Lino Guedes escreve como negro, sobre o negro, para o negro, num momento de ebulição cultural e social. Não podemos considerar a obra de Lino Guedes como grande literatura, mas vale como marco do começo da negritude no Brasil. Depois vem Solano Trindade com sua poesia política, contestatória e marxista, que dá um rumo de grandeza à literatura negra cantando e exaltando Zumbi dos Palmares. Um contraponto ao trabalho de Lino Guedes, que era católico e moralista. Podemos dizer que a literatura negra atual segue essas duas tendências, somadas às influências africanas e sobretudo norte-americanas. Portanto, podemos ordenar desta forma: Domingos Caldas Barbosa, Luís Gama, Cruz e Souza, Lima Barreto, Lino Guedes e Solano Trindade. Portal - Todos estes nomes seriam nomes guias? Oswaldo de Camargo - Sim, são nomes guias. Portal - Então Solano Trindade seria o último grande nome guia? Oswaldo de Camargo - Diria que sim, pois para que possamos medir a importância de um escritor, de sua obra e vislumbrar até que ponto ela influenciou a produção literária de seus sucessores é preciso esperar 30, 50. Portal – A literatura africana influenciou ou influencia a literatura negra produzida no Brasil? Oswaldo de Camargo – O escritor negro brasileiro está muito desvinculado da questão africana. Quando ele escreve, está usando os padrões europeus, latinos, padrões herdados por uma cultura, digamos, ocidental. A literatura africana foi na maior parte ágrafa (sem escrita). Nossa literatura negra está enrolada com a literatura ocidental, sobretudo com a norte-americana, francesa, portuguesa e etc. Portal - A influência da literatura norte-americana é boa? Não seria mais interessante uma maior proximidade com a produção africana? Oswaldo de Camargo - Não. Nossa realidade está muito mais próxima da norte-americana. O escritor negro brasileiro conhece muito mais os conflitos e as questões de identidade do negro norte-americano. O africano não passou por isso. Estou falando da diáspora. O escritor africano não foi desraizado, mesmo com a invasão do colonizador ele não foi retirado de sua "casa" e mandado para uma terra estranha. Já os norte-americanos, assim como os brasileiros carregam esta herança. Então, quando o negro escreve no Brasil, ele naturalmente tem mais afinidade com o negro dos Estados Unidos. Uma unidade nascida da experiência comum da diáspora, que foi fundamental. Portal – Então, diante desse histórico, não há condições para uma unidade ideológica entre a produção brasileira e africana? Oswaldo de Camargo - A produção literária vem do subconsciente. O escritor não é um ser que escreve à toa. Ele mesmo determina o rumo que quer dar à sua obra. O ímpeto que leva africanos e brasileiros a escrever são diferentes. Os africanos "lutam" contra um invasor, nossa luta é pela afirmação de uma identidade, que foi esfacelada. Nós estamos tentando nos recompor, os africanos estão se defendendo. Portal – A literatura produzida por brancos que falava de negros foi prejudicial à "causa negra"? Oswaldo de Camargo – Depende muito do escritor. Por exemplo, Trajano Galvão, que iniciou no século XIX com os ventos do romantismo, olhou ao redor de si, descobriu o negro na senzala. e começou a escrever poemas, a grande linguagem da época, a respeito disso. Foi muito válido, foi muito bom. Ninguém tinha interesse em escrever sobre escravos. Escravos não mereciam literatura. Ninguém se deteria a analisar psicologicamente um escravo, que era apenas uma coisa, um vazio, no mesmo patamar dos animais. Então Trajano Galvão passa a se interessar e ergue o negro a condição de objeto de literatura. Foi uma valorização. Feita por branco? Sim, mas somente poderia ter sido feita por branco, que detinha a literatura naquela época. "Para que surja uma literatura é necessário que haja um caldo literário. E esse caldo já existia no Brasil. Já existiam vários poetas brancos escrevendo sobre negros. Mulatos também escreviam, mas não voltados para a negritude. Veja bem, naquela época, a partir do momento que o mulato escrevia, ele já não era mais considerado como negro. A partir do momento que ele aprende a ler e escrever, viaja para Lisboa e ascende socialmente, ele obscurece suas raízes negras. Portanto não produz essa literatura negra. Ele não tem conflitos de negro. Ele não tem conflitos de cor. Ele não pensa no fator cor. Ele vive com naturalidade a ilusão de ser um branco, por ter ascendido socialmente. Culturalmente era um branco. Então sua produção será geralmente a produção de um branco. Como escritor ele será um branco." "A única exceção que encontraremos no século XVIII será Domingos Caldas Barbosa. Um mulato que volta seu olhar para sua cor e escreve sobre isso. Não é a toa que Manuel Bandeira cita-o como precursor da poesia brasileira. Ele, um mulato, que foi chamado de orangotango por Bocage e de macaco por outros. Foi ridicularizado e humilhado por ter ousado entrar nos palácios, recitando e cantando o lundum, um rítmo de negros. Os intelectuais da época zombavam dele. Ele era satirizado pelos outros escritores. Tudo isso por assumir sua cor e ascendência." Portal – Existe algum elo que une os escritores brasileiros a outros de mesma língua (portuguesa)? Oswaldo de Camargo – O fator primordial não é a língua. A personalidade do escritor é que irá dar a cor para a língua. É como Kafka, que nasceu em Praga e fala o alemão. Não houve um encadeamento de experiência de escritores africanos de língua portuguesa com os brasileiros. É difícil imaginar que o escritor apenas por comungar a mesma língua irá compartilhar das mesmas experiências. Não esqueçamos da diáspora... "... Esta experiência enorme de sermos descendentes de escravos marca profundamente toda nossa produção e nossa vida. Tudo que fazemos está marcado pelo fato de sermos netos e bisnetos de escravos. Essa lembrança não se arreda tão facilmente. Portanto, nossa produção terá essa marca, é isto que a torna singular, diferente. É isto que justifica chamarmos o que escrevemos de literatura negra... quando ela tem os quesitos de arte..." Portal – Como podemos identificar essa literatura que é arte? Oswaldo de Camargo – É quando lemos um texto que tira o melhor partido das palavras, que se adapta perfeitamente ao que ele quer expressar e esta adaptação não é um texto científico, um compêndio, é um texto com arte. O escritor manipula a palavra com arte. Ele não quer apenas que o texto traga indícios de uma realidade e sim uma coisa complexa, um instrumento que vai mostrar, vindo do subconsciente, uma outra realidade, de uma maneira atípica. A visão do escritor é realista ou supra-realista, que pode mostrar uma realidade muito além do que se imagina, quando for verdadeiro. Caso não seja verdadeiro, não se discute... Não adianta discutir... Não entrou no subconsciente... ... Como dizia Carlos Drummond de Andrade: usar a chave... ele não abriu nenhuma porta... O grande verso do Drummond é "trouxe a chave?" Infelizmente, boa parte de nossos escritores não possui a chave... Portal - Será por isso, então que a literatura negra é tão pouco representativa? Oswaldo de Camargo - A literatura de modo geral é um instrumento frágil para se sustentar, independente de ser branca ou negra. Sozinha, a literatura é fraca, por trabalhar com a palavra. Ela não tem as atenções da mídia como tem a música e até mesmo as artes plásticas, por se aproximar mais de uma arte utilitária. Se você não faz então uma literatura academiável, que possa ser discutida em universidades, propositalmente você se marginaliza, pois seu tema é marginal. Você estará usando o instrumento literário para tratar de assunto que não é usual, um assunto que se ocupa da proporção mais empobrecida, menos respeitada, historicamente desvalorizada da sociedade brasileira... E tem mais, a literatura não é apenas escrever, ela tem que vender. As editoras não querem apenas um bom texto, elas querem é vender. Nenhum editor, com raras exceções, publica um texto apenas por sua beleza, ele quer é vender o livro. Portal – Mas aí ele não tem os mesmos critérios... Oswaldo de Camargo – Não tem. Nem pode ter, pois essa literatura não esta imbricada num processo tradicional do negro escrever. O negro escreve pouco. Portal - E lê pouco. Oswaldo de Camargo - Talvez até por isso. Percebe como é complexo? Por melhor que seja um livro com temática negra, ninguém garante que haverá um publico enorme para ele, pois o grau de impregnacão de uma realidade negra que o escritor quer propor, não existe na sociedade brasileira. O norte-americano já tem esta possibilidade. A sociedade americana está impregnada de uma questão negra, por fatores históricos, etc. A sociedade branca brasileira não é seduzida por este assunto, pelo contrário, esse tema nem existe para ela. Não existe uma questão negra para o brasileiro, em geral. Portanto uma literatura concebida com padrões negristas não terá a ressonância que tem um texto negro nos Estados Unidos. A sociedade americana, até por seu pragmatismo, proporciona ao escritor muito mais chance de vender, justificando um investimento, do que um escritor negro brasileiro de mesma capacidade. O escritor negro brasileiro é um grande herói. Ele aposta muitas vezes no vazio. É um profeta que acredita a despeito de tudo. E eu como um dos mais velhos escritores desta época, estou vendo que vale a pena apostar. Portal – Mas o senhor é uma instituição. Oswaldo de Camargo - Não sei... Sei apenas que sou um dos mais velhos. Sou um dos poucos que conviveu com Solano Trindade, o que foi uma grande honra. Comecei muito cedo e digo que vale a pena apostar Quando você escreve um texto nunca se pode prever seu caminho. Este texto pode começar a falar de verdade depois de 50 anos, então é um ato de aposta. Mas vale a pena de fato tentar traduzir, fazer uma nova leitura do país, escrevendo poema, conto, novela, ensaio, dentro de uma visão negra que o branco não poderia ter dado nunca, por não ter a vivência especifica do negro. Portal – Se o negro brasileiro não lê e o branco que lê não se interessa por nossos assuntos, para quem o escritor negro escreveria? Oswaldo de Camargo – A pergunta é interessante. Mas, em primeiro lugar o escritor escreve para ele mesmo. Como falou Dostoievsky.. "Eu escrevo para espantar meus demônios." O escritor precisa expor o que sente, dividir o que tem com os outros, mas primeiro consigo mesmo. Portal – É um ato de angústia, então? Oswaldo de Camargo - Sim, por que não? Ele pega um fato de sua infância, um amor frustrado, por exemplo. Frustração é que faz boa literatura e não o que dá certo. É por isso que a pessoa equilibrada não pode ser um bom escritor. Um pai de família que chega em casa tira os chinelos, beija a mulher, beija os filhos, senta-se à mesa, nunca poderá ser um bom escritor. Escrever é um ato de desencontro, de angústia. Ele vai escrever para compensar o que não é, desde que tenha talento. É a sublimação pela arte: Eu sou nada socialmente, mas sou um príncipe escrevendo. E este canto é o canto da liberdade, eu escrevo o que quiser. Posso ser um santo ou um demônio escrevendo... Portal – Canto da liberdade...A literatura seria uma das possibilidades de nós negros sermos livres? Oswaldo de Camargo – Sim. "Mas ter talento não basta para ser escritor. Existe todo um aparato para chegar a ser um bom escritor. É preciso saber entender o termo de uma palavra. A palavra pesa. A diferença entre a palavra "belo" e "bonito" pode modificar totalmente o sentido de um texto. O escritor é um alquimista do verbo. Ele tem o dom da mágica, é um demíurgo, cria um mundo com palavras. Para se fazer isto tem que se preparar, "ter a chave", e isto passa pela observação da obra dos outros, pela leitura, pela obsessão por alguns textos que marcaram sua vida. Até para imitar... Não existe um escritor sem outro escritor. Portal – E nem sem leitor... O senhor é otimista? Acredita na formação de uma geração de jovens negros brasileiros interessados por literatura? Oswaldo de Camargo – Este é um fenômeno geral. Não acontece apenas com o negro. Não existe uma questão negra isolada da realidade brasileira. Este drama da leitura é um drama geral do Brasil. A leitura não se tornou um hábito, uma paixão, uma obsessão. O Brasil seria outro país se houvesse a obsessão da leitura. A realidade brasileira seria melhor pensada. Haveria uma crítica violenta à estrutura partindo das grandes massas. A vida religiosa seria outra. Eu sou católico. Aqui é somente por tradição, pois as verdades religiosas profundas não são conhecidas... "Qual a força do Japão pós-guerra? Qual a força da Alemanha pós-guerra?. Cultura. E a cultura passa necessariamente pela leitura". "No século VIII foi escrita a Ilíada, de Homero, que se tornou a educadora da Grécia, que era lida pelos poetas ambulantes para o povo, nas casas, nos palácios. Hoje quem substitui Homero é a televisão. Ela está educando? Não, pelo contrário, está nivelando da maneira mais baixa possível, o que interessa a muita gente. E grande parte destas pessoas influenciadas por este subproduto continua sendo negra e miscigenada, que são os que detém as condições de dar o pulo, de dar o salto..." Portal - A vaidade maior de um escritor é ser lido? Oswaldo Camargo – Sim, mas pelo bom leitor, pelo leitor inteligente, que troca figurinhas com o autor, que indaga, é raro mas acontece. Aí é o prêmio máximo. Mas voltando à vaidade, minha vaidade é ter persistido num mesmo rumo. Muitos desistiram e eu consegui. Este é meu grande orgulho. Portal – Falando em persistência, os Cadernos Negros chegam à sua 23ª edição. Qual sua opinião sobre os Cadernos? Oswaldo Camargo - É uma proeza inédita no país, pertence à vida da resistência negra neste país. Examinar literariamente o peso disto já é outra história, uma coletânea é uma coletânea... Se em cada Caderno aparecer pelo menos um escritor com um texto legitimo terá valido a pena. Os Cadernos devem ser elogiados por sua persistência, por serem uma grande referência neste roteiro do negro trazer sua experiência particular de literatura. É uma referência obrigatória. Portal – O que o senhor pensa dos escritores brancos de hoje que escrevem sobre vivências e temas negros? Oswaldo de Camargo – Não há nenhuma novidade nisto. É um branco interessado no assunto. Ele fez. A visão dele irá somar-se a outras visões. É uma visão possível. Um branco também vê. O branco está fronteiriço ao problema negro, mesmo sendo da alta sociedade, mas ao lado, a quinhentos metros há uma favela. Mas que fique claro, ele não está fazendo uma literatura negra, está fazendo um livro de sociologia, de etnografia, de recolha de conhecimentos sociais. Quando eu falo de literatura negra, falo sobretudo daquilo que torna a literatura um ato neurótico. Você cria um mundo de um nada, aparentemente nada, mas este nada é você, seu subconsciente, sua memória... Neste campo eles não entram. Vários escritores brancos já escreveram com muita categoria, Florestan Fernandes, Otaviani, Roger Bastide e outros... Mas não peça-lhes para entrar neste campo da literatura que é criar com palavras um mundo calcado tão só na experiência particular de um temperamento. "Eu como negro sou um escritor, meu mundo é outro. Até pela geração que pertenço, pela religião que me salva e por minha sensibilidade... O escritor criará um mundo de dentro de si mesmo. Eis o ato neurótico. É o vazio e de repente o mundo."
Fonte: Blog da Cidinha

24 de Outubro - Nascimento de Esmeralda Ribeiro - Poeta e uma das coordenadora do Quilombhoje / 1958

ESMERALDA RIBEIRO (Brasil). Jornalista, escritora e pesquisadora da literatura afro-brasileira. É integrante desde 1982 do Quilombhoje Literatura, grupo de escritores afro-brasileiros, sediado em São Paulo. Sua atuação no sentido de incentivar a participação da mulher negra na literatura tem sido constante. Tem trabalhos publicados em 27 antologias no Brasil e no exterior.

Ressurgir das cinzas

Sou forte, sou guerreira,
tenho nas veias sangue de ancestrais.
Levo a vida num ritmo de poema-canção,
mesmo que haja versos assimétricos,
mesmo que rabisquem, às vezes,
a poesia do meu ser,
mesmo assim, tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caído ao chão".

Sou destemida,
herança de ancestrais,
não haja linha invisível entre nós
meus passos e espaços estão contidos
num infinito tonel,
mesmo tendo na lembrança jovens e parentes que, diante da batalha deixaram a talha
da vida se quebrar,
mesmo tendo saudade cultivada no portão.
Mesmo assim, tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caída ao chão" .

Sou guerreira como Luiza Mahin,
Sou inteligente como Lélia Gonzáles,
Sou entusiasta como Carolina de Jesus,
Sou contemporânea como Firmina dos Reis
Sou herança de tantas outras ancestrais.
E, com isso, despertem ciúmes daqui e de lá,
mesmo com seus falsos poderes tentem me aniquilar,
mesmo que aos pés de Ogum coloquem espada da injustiça
mesmo assim tenho este mantra eu meu coração:
"Nunca me verás caída ao chão".

Sou da labuta, sou de luta,
herança dos ancestrais,
trabalhar, trabalhar, trabalhar,
mesmo que nos novos tempos irmãos seduzidos
pelo sucesso vil me traiam, nos traiam como judas
sob a mesa,
meu, ganha-pão.
Mesmo que esses irmãos finjam que não nos vêem,
estarei ali ou onde estiver, estarei de corpo ereto,
inteira,
pronunciando versos e eles versando sobre o poder,
mesmo assim tenho esse mantra em meu coração
"nunca me verás caída ao chão".
Me abraço todos os dias,
me beijo,
me faço carinho, digo que me amo, enfim,
sou vaidosa espiritual,
mesmo com mágoas sedimentadas no peito,
mesmo que riam da minha cara ou tirem sarro do meu jeito,
mesmo assim tenho esse mantra em meu coração:
"Nunca me verás caída ao chão".
Me fortaleço com os ancestrais,
me fortaleço nos braços dos Erês.
podem pensar que me verão caída ao chão,
saibam que me levantarei
não há poeiras para quem cultua seus ancestrais,
mesmo estando num beco sem saída, levada por um mar de águas,
mesmo que minha vida vire uma maré,
vire tempestade, sei que vai passar.
Porque são meus ancestrais que se reúnem num ritual secreto
para me levantar.
Eu darei a volta por cima e estarei em pé, coluna ereta,
cheia de esperança, cheia de poesia e com muito
axé
por isso, desista,
tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caída ao chão.
RIBEIRO, Esmeralda. Cadernos negros,vol 27:poemas afro-brasileiros.São Paulo:quilombhoje,2004.

16 de Outubro - Wole Soyinka - Primeiro africano a receber o Prêmio Nobel de Literatura / 1986

Wole Soyinka (Abeokuta, 13 de julho de 1934) é um escritor nigeriano.

Foi agraciado com o Nobel de Literatura de 1986. Muitos o consideram o dramaturgo mais notável da África.
Soyinka nasceu em uma família humilde de origem iorubá em Abeokuta, Nigéria. Ele fez o primário escolar em Abeokuta e o secundário no Government College, em Ibadan. Soyinka fez faculdade na University College (1952-1954), em Ibadan, e na University of Leeds (1954-1957), na Inglaterra, onde ele se formou com menção honrosa em Literatura inglesa. Ele trabalhou no Teatro da corte real (Royal Court Theater) em Londres antes de retornar a Nigéria para se dedicar ao estudo da dramaturgia africana. Soyinka lecionou nas universidade de Lagos e Ife (tornando-se professor de Literatura comparativa nesta instituição de ensino em 1975).
Soyinka participou ativamente na história política da Nigéria. Em 1967, durante a Guerra civil nigeriana, ele foi preso pelo Governo federal mantido em confinamento solitário na prisão por suas tentativas de mediar a paz entre os partidos em guerra. Na prisão ele escreveu poemas que mais tarde viriam a ser publicados em uma coleção sob o título Poems from Prison. Soyinka foi liberado vinte e dois meses mais tarde após haver se formado uma conscientização internacional sobre a sua situação. Mais tarde ele recontou a sua experiência no confinamento em um livro: The Man Died: Prison Notes.
Soyinka tem criticado abertamente as administrações da Nigéria e de tiranias políticas mundo afora, inclusive fez denúncias contra o regime de Mugabe de Zimbabwe. Muitos de seus escritos tratam do que ele chama de "the oppressive boot and the irrelevance of the colour of the foot that wears it", ou seja, parafraseando: o coturno opressivo e a irrelevância da cor do pé que a calça. Essas formas de pensar e de se expressar tem causado grande risco de vida ao autor, especialmente durante o governo do ditador nigeriano Sani Abacha (1993-1998). Durante a ditadura do General Abacha, Soyinka se retirou de seu país de origem em exílio voluntário (passando a maioria desse tempo nos Estados Unidos onde lecionou na University of Emory, na cidade de Atlanta. Quando do retorno do governo civil na Nigéria, em 1999, Soyinka aceitou emérito da Ife (agora Obafemi Awolowo University, mas somente com a condição de que nenhum dos ex generais do regime prévio jamais fossem designados como chanceller da universidade no futuro. Após algum tempo na África, ele passou a ocupar a cadeira Elias Ghanem Professor of Creative Writing no Departamento de inglês da University of Nevada, na cidade de Las Vegas, Estados Unidos.
Fonte: Wikipédia

16 de Outubro - Reverendo Desmond Mpilo Tutu recebe o Prêmio Nobel da Paz em 1984.

O Reverendo Desmond Mpilo Tutu (Klerksdorp, Transvaal, África do Sul 1931) é um clérigo e pacifista sul-africano que adquiriu fama internacional durante a década de 1980 por causa de sua oposição ao Apartheid. Tutu foi o primeiro sul-africano negro a ser eleito e ordenado como Arcebispo Anglicano de Cidade do Cabo (África do Sul), e depois Primado da então Igreja da Província de África Meridional (atualmente Igreja Anglicana de África Meridional). Foi reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz em 1984.
É dele a expressão "Nação do Arco Íris" para descrever metafóricamente a África do Sul posterior ao Apartheid (em 1994 com o triunfo do ANC). A expressão se incorporou desde então para descrever a diversidade étnica da África do Sul.
Nascido em 7 de outubro de 1931 na população sul-africana de Klerksdorp, emigrou com sua família aos 12 anos para Johannesburgo. Ainda que queria ser médico, orientou sua educação ao ensino devido sua família não poder pagar-lhe estudos mais custosos. Licenciou-se em 1953 na Universidade Bantu de Pretoria, sendo posteriormente professor do secundário no Instituto Bantu de Johannesburgo, onde esteve até 1957. Aquele ano demitiu-se de seu cargo, denunciando a precariedade do ensino para os negros. Continuou seus estudos de teologia, e em 1960 foi ordenado sacerdote anglicano.
Entre 1962 e 1966 viajou a Londres onde recebeu um master em teologia, retornando posteriormente a seu país. A partir daquele momento realizou conferências denunciando a precariedade da situação dos negros em seu próprio país, e advertindo que a situação de cordialidade entre brancos e negros (baseada na submissão dos segundos) podia estourar a qualquer momento. Em 1972 foi designado vice diretor do fundo teológico de educação do Conselho Mundial de Iglesias, e na sua volta a África do Sul em 1975 foi ordenado bispo da Igreja da Província de África Meridional, o primeiro negro em sua história.
Em 1976 se realizaram os emblemáticos protestos de Soweto contra a obrigação do uso do Afrikaans como língua de instrução nas escolas negras, convertendo-se numa revolta em massa nacional contra o apartheid, revolta na qual Tutu tomou parte ativa, dando suporte ao boicote econômico internacional contra seu país.
Bispo de Lesotho entre 1976 e 1978, foi nomeado no último ano Secretário Geral do Conselho Sul-africano de Iglesias, continuando assim sua luta contra o apartheid com o acordo de quase todas as igrejas cristãs de África do Sul. Tutu advogou constantemente pela reconciliação entre todos os grupos implicados no apartheid, denunciou constantemente ao governo branco minoritário por sua política racista contra a maioria negra, mas também condenou os grupos "anti - apartheid" que efetuavam ou propiciavam atuações violentas e terroristas como o Congresso Nacional Africano e diversos grupos de extrema esquerda.
Em 16 de outubro de 1984 foi concedido o Prêmio Nobel da Paz por sua constante luta contra o apartheid.
Em 7 de setembro de 1986 foi ordenado Arcebispo da Igreja da Província de África Meridional , sendo novamente o primeiro homem negro em conseguí-lo, ocupando seu cargo de Arcebispo de Cidade do Cabo entre aquele ano e 1996. Junto ao fim oficial da política de apartheid, Tutu foi nomeado diretor da Comissão para valer e Reconciliação criada pelo recém eleito Presidente da África do Sul Nelson Mandela. Atualmente faz parte das 18 personalidades mundiais que dão apoio à Aliança de Civilizações. É membro do Comitê de Honra da Coordenação internacional para o Decênio da não-violência e da paz, adere à Marcha Mundial pela Paz e a Não-violência.
Fonte: http://guinebissaumarchamundial.blogspot.com/2008/09/desmond-tutu.html

Coleção Percepções da Diferença - Neinb

Coleção Percepções da Diferença

A coleção Percepções da Diferença: Negros e brancos na escola é destinada a professores da educação infantil e do ensino fundamental. Seu intuito é discutir de maneira direta e com profundidade alguns temas que constituem verdadeiros dilemas para professores diante das discriminações sofridas por crianças negras de diferentes idades em seu cotidiano nas escolas.
Diferenciar é uma característica de todos os animais. Também é uma característica humana muito forte e muito importante entre as crianças, mesmo quando são bem pequenas, na idade em que freqüentam creches e pré-escolas e começam a conviver com outras observando que não são todas iguais.
Mas como lidar com o exercício humano de diferenciar sem que ele se torne discriminatório? O que fazer quando as crianças se dão conta da diferença entre a cor e a textura dos cabelos, os traços dos rostos, a cor da pele? Como evitar que esse processo se transforme em algo negativo e excludente? Como sugerir que as crianças brinquem com as diferenças no lugar de brigarem em função delas?
Os 10 volumes que compõem a coleção Percepções da Diferença chamam a atenção para momentos em que a diferenciação ocorre, quando se torna discriminatória, e sugerem formas para lidar com esses atos de modo a colaborar para que a auto-estima e o respeito entre crianças sejam construídos.
Os autores discutem conceitos e questionam preconceitos. Fazem sugestões de como explorar as diferenças de maneira positiva, por meio de brincadeiras e histórias, e de leituras que possam auxiliá-los a aprofundar a reflexão sobre os temas, caso desejem fazê-lo.
Para compor a coleção convidamos especialistas e educadores de diferentes áreas. Cada volume reflete o ponto de vista do autor ou da autora de modo a assegurar a diversidade de pensamentos e abordagens sobre os assuntos tratados.
Desejamos que a leitura seja prazerosa e instrutiva.
Gislene Santos
Conheça os livros da coleção:
1 - Percepções da Diferença.
2 - Maternagem. Quando o bebê pede colo.
3 - Moreninho, Neguinho, Pretinho.
4 - Cabelo Bom. Cabelo Ruim.
5 - Professora, não quero brincar com aquela negrinha!
6 - Por quê riem da África?
7 - Tímidos ou indisciplinados?
8 - Professora, existem Santos Negros? Histórias de identidade religiosa negra.
9 - Brincando e ouvindo histórias.
10 - Eles têm a cara preta!
A coleção está disponivel para download no site da Neinb/USP
http://www.usp.br/neinb/?q=node/9



Mensagens de blog

Rosivalda dos Santos Barreto

BESOURO

Olá amigos! Bom domingo!
Quem Assistiu Besouro?!!!????!!!??
Rosivalda!

Postado por Rosivalda dos Santos Barreto em 7 novembro 2009 às 7:56 ‚Äî 1 Comentário

Patrícia Brito

PROJETO DE DOCUIMENTÁRIO - LANCEIROS NEGROS O PREÇO DA LIBERDADE

LANCEIROS NEGROS O PREÇO DA LIBERDADE
Documentário

“Lanceiros Negros o preço da liberdade e Circuito de Oficinas – Didático-Pedagógico, implementação da Lei 10.639/03”. Trata-se de um documentário em média-metragem inédito, captado e finalizado em vídeo com duração de 30 min., objetivando proporcionar ao espectador um impacto múltiplo sobre um recorte histórico na trajetória da Revolução Farroupilha. Este trabalho promove a discussão sobre a participação X utilização dos negros escravos como so… Continuar

Postado por Patrícia Brito em 6 novembro 2009 às 15:31

Patrícia Brito

AS COMUNIDADES PERIFÉRICAS COMO ESPAÇOS DE FRUIÇÃO DE ARTE, CULTURA E EDUCAÇÃO

RESUMO

O objetivo deste trabalho é discutir o olhar sobre as ações socioeducativas compartilhadas com as ONGs e protagonizadas pela mão Afro-brasileira. Evidenciar personalidades negras e nossas referências culturais. Identificar a cultura popular como cultura de raiz. Apresentar, discutir e analisar a metodologia que como aqui, inclui ações e projetos compartilhados com o Ministério da Cultura, Justiça e Educação. Fundamentar a discussão que o projeto de documentário Lanceiros Negros o preço d… Continuar

Postado por Patrícia Brito em 6 novembro 2009 às 15:27

Patrícia Brito

CARAVANA DA RESTAURAÇÃO CULTURAL - CELEBRAÇÃO DA DIVERSIDADE CULTURAL

CARAVANA DA RESTAURAÇÃO SOCIAL

Projeto Roteiro Cultural Correios Negro Circuito Escolar
(Eixo 2009 das Edições dos Correios Negro)


ESCOLA ESTADUAL MÁRIO QUINTANA - CAIC
(Quinta parada do Roteiro Cultural – de 06 a 30 de novembro de 2009)

A Escola Estadual Mário Quintana - CAIC, na Salomé (Onze de Abril) em Alvorada é a quinta parada do Circuito Escolar do Projeto “Roteiro Cultural Correios Negro em Alvorada/RS. Durante todo o mês de novembro a Caravana da Restauração Social vai compartilhar… Continuar

Postado por Patrícia Brito em 6 novembro 2009 às 15:25

Maria Conceição Oliveira

Eventos de Gastronomia no Mês da Consciência Negra :

19 de Novembro aula sobre cultura e sabores da República da Guiné , em comemoração ao mês da consciência negra , às 19h30, no Sesc Pinheiros de São Paulo. Entrada gratuita. Inscrições : (11) 30-95-94-00

BATUQUE NA COZINHA: NEGRO É RESISTÊNCIA.
Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, este mês o Sesc Santo André está com uma programação incrível que envolve muita música, cultura, palestras, comida...
Para compor este tabuleiro de sabores o Sesc Santo André chamou os Chefs Paulo Machado, Sula… Continuar

Postado por Maria Conceição Oliveira em 6 novembro 2009 às 8:17

NEA ONNIM NO SUA A, OHU

Identidades Étnicas - Eduardo Antonio Bonzatto

A ordem é a primeira lei do céu, e, isto admitido, alguns são, e devem ser, maiores que os outros.
Alexander Pope, Essay on Man (1733)
Em termos gerais, podemos afirmar que o livre pensamento é a melhor de todas as salvaguardas contra a liberdade.
Aplicada conforme o estilo moderno, a emancipação da mente do escravo é a melhor forma de evitar a emancipação do escravo. Basta lhe ensinar a se preocupar em saber se quer realmente ser livre, e ele não será capaz de se libertar.
Gilbert Keith Chester… Continuar

Postado por NEA ONNIM NO SUA A, OHU em 6 novembro 2009 às 0:04

Notas

Discriminação religiosa em escola publica no Rio‏

Livro sobre Exu causa guerra santa em escola municipal

Professora umbandista diz que foi proibida de dar aulas em unidade de Macaé, dirigida por diretora evangélica

POR RICARDO ALBUQUERQUE, RIO DE JANEIRO

Rio - As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 4
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Criado por Baby Amorim 27 Out 2009 at 21:20. Atualizado pela última vez por Baby Amorim 28 Out.

Reação anti-cotas e ações afirmativas em blog‏

A frente anti-cotas e ações afirmativas que reune um grupo de fraudadores intelectuais que nos seus delírios políticos imaginam que tais políticas arquitetam um conflito de base racial organizado pelos negros contra os brancos com financiamento estrangeiro para desestabilizar o Brasil lançou um blog para difundir suas idéias.
Contra a racialização do BrasilContinuar

Criado por Baby Amorim 23 Out 2009 at 15:23. Atualizado pela última vez por Baby Amorim 23 Out.

Quilombolas - Tradições e cultura da resistência

Quilombolas - tradições e cultura da resistência


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Criado por Baby Amorim 22 Out 2009 at 0:40. Atualizado pela última vez por Baby Amorim 22 Out.

Ex-auxiliar de enfermagem nos EUA se torna Rei em Uganda

Ex-auxiliar de enfermagem nos EUA se torna rei em Uganda

Herdeiro real, Charles Mumbere viveu por 20 anos nos EUA.
Presidente de Uganda reconheceu reinado de seu povo.

Da Associated Press

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Criado por Baby Amorim 21 Out 2009 at 2:28. Atualizado pela última vez por Baby Amorim 21 Out.

Novo livro de Toni Morrison no dia 20 de outubro

Presença: novo livro de Toni Morrison no dia 20 de Outubro

O novo livro de Toni Morrison, «A Dádiva, será lançado no dia 20 de Outubro pela Presença. A norte-americana foi a primeira mulher negra a ser distinguida com o Prémio Nobel da Literatura, mais concretamente em 1993.

«A Dádiva», de Toni Morrison
«Da aut

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Criado por Baby Amorim 21 Out 2009 at 2:02. Atualizado pela última vez por Baby Amorim 21 Out.

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Diversidades

Revista Palmares Ano 5 - Número 5
Agosto 2009 - Cultura Afro - Brasileira
Faça o download gratuito da Revista Palmares no site da Fundação Palmares
http://www.palmares.gov.br/

Elikia M'Bokolo
São Paulo, Salvador: Casa das Áfricas, Edufba, 2009
Este volume I da África Negra: História e Civilizações cobre o período menos conhecido da história africana e um dos mais difíceis de abordar. Ver-se-á neste livro que este tempo longo do passado africano foi talvez, em primeiro lugar, o das invenções contínuas, sob a forma de uma incessante bricolagem, de laboriosas adaptações ou de rupturas radicais.
À venda na Casa das Áfricas.

Para quando África: entrevista com René Holenstein
Joseph Ki-Zerbo
Rio de Janeiro: Pallas, 2006
O livro traz uma entrevista concedida pelo historiador Joseph Ki-Zerbo a René Holenstein, especialista em estudos africanos e em questões do desenvolvimento. Nesta obra Ki-Zerbo apresenta sua visão sobre questões como as armadilhas das teorias desenvolvimentistas e da globalização, ao mesmo tempo em que critica propostas de isolamento econômico e cultural.
http://www.pallaseditora.com.br/livro_c.php?id=...

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