
Romancista, cronista. Fez seus primeiros estudos como interno no Liceu Popular Niteroiense, prestando, após alguns anos, exames para o Ginásio Nacional. Em 1896, matriculou-se no Colégio Paula Freitas, freqüentando o curso preparatório à Escola Politécnica, onde ingressou no ano seguinte. Em 1903, ingressou na Diretoria de Expediente da Secretaria de Guerra, abandonando o curso de engenharia, passando a sustentar a família, já que seu pai enlouquecera e sua mãe havia falecido. Em 1914, foi internado pela primeira vez no Hospício Nacional, por alcoolismo, sendo aposentado através de decreto presidencial. Foi preterido nas promoções da Secretaria de Guerra por sua participação, como jurado, no julgamento dos acusados no episódio denominado «Primavera de Sangue» (1910), que condenou os militares envolvidos no assassinato de uma estudante. Em 1919, esteve pela segunda vez internado no hospício. Candidatou-se duas vezes a membro da Academia Brasileira de Letras; na primeira vez, seu pedido não foi considerado; na segunda, não conseguiu ser eleito. Posteriormente recebeu menção honrosa desta Academia. Fez sua primeira colaboração na imprensa ainda em 1902. Influenciado pela Revolução Russa, a partir de 1918 passou a militar na imprensa socialista, publicando no semanário alternativo ABC um manifesto em defesa do comunismo. Colaborou nos periódicos Correio da Manhã, Gazeta da Tarde, Jornal do Commercio, Fon-Fon, entre outros. Lançou em 1907, com amigos, a revista Floreal, que teve editados apenas quatro números.
1 de Novembro - É criado o Bloco Afro Ilê Aiyê

ILÊ AIYÊ, primeiro bloco afro da Bahia, inicia sua história em 1º de novembro de 1974, no Curuzu-Liberdade, bairro de maior população negra do pais: 600 mil habitantes.
O objetivo da entidade é preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira, para isso, desde que foi fundado, vem homenageando os países, nações e culturas africanos e as revoltas negras brasileiras que contribuíram fortemente para o processo de fortalecimento da identidade étnica e da auto-estima do negro brasileiro, tornando populares os temas da história africana vinculando-os com a história do negro no Brasil, construindo um mesmo passado, uma linha histórica da negritude.
O seu movimento rítmico musical, inventado na década de 70, foi responsável por uma revolução no carnaval baiano. A partir desse movimento, a musicalidade do carnaval da Bahia ganha força com os ritmos oriundos da tradição africana favorecendo o reconhecimento de uma identidade peculiar baiana, marcadamente negra. O espetáculo rítmico-musical e plástico que o bloco exibe no Carnaval emociona baianos e turistas e arranca aplausos da população.
A riqueza plástica e sonora do Ilê Aiyê retoma todas as formas expressadas na evolução dos movimentos de renascimento negro-africano, negro-americano ou afro-americano, as decodifica para o contexto específico da realidade baiana, sem perder de vista a relação de identificação entre todos “os negros que se querem negros” em qualquer parte do mundo, ressaltando sempre o caráter comum da origem ancestral, de um passado comum que nos irmana.
Com 3 mil associados, o Ilê Aiyê é hoje um patrimônio da cultura baiana, um marco no processo de reafricanização do Carnaval da Bahia.
Fonte:
http://www.ileaiye.org.br/
31 de Outubro - Nascimento de Luiz Silva - Cuti, poeta, dramaturgo e co-fundador do Quilombhoje / 1951

Cuti é pseudônimo de Luiz Silva. Nasceu em Ourinhos-SP, a 31.10.51. Formou-se em Letras (Português-Francês) na Universidade de São Paulo, em 1980. Mestre em Teoria da Literatura e Doutor em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem – Unicamp (1999/2005). Foi um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura, de 1983 a 1994, e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros, de 1978 a 1993.
OBRAS
Poemas da carapinha. São Paulo : Ed. do Autor, 1978.
Batuque de tocaia. São Paulo : Ed. do Autor, 1982 (poemas).
Suspensão. São Paulo : Ed. do Autor, 1983 (teatro).
Flash crioulo sobre o sangue e o sonho. Belo Horizonte : Mazza Edições, 1987 (poemas).
Quizila. São Paulo : Quilombhoje, 1987 (contos).
A pelada peluda no Largo da Bola. São Paulo : Editora do Brasil, 1988 (novela juvenil).
Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro. São Paulo : Eboh, 1991.
Negros em contos. Belo Horizonte : Mazza Edições, 1996.
Um desafio submerso: Evocações, de Cruz e Sousa, e seus aspectos de construção poética. Campinas (SP) : Unicamp, 1999 (dissertação de mestrado).
Sanga. Belo Horizonte : Mazza Edições, 2002 (poemas).
A consciência do impacto nas obras de Cruz e Sousa e de Lima Barreto. Campinas (SP) : Unicamp, 2005 (tese de doutorado).
Negroesia. Belo Horizonte : Mazza Edições, 2007 (poemas).
...E disse o velho militante José Correia Leite. São Paulo : Secretaria Municipal de Cultura, 1992; São Paulo : Noovha América, 2007 (memórias),
CO-AUTORIA
ALVES, Miriam; XAVIER, Arnaldo; CUTI [Luiz Silva]. Terramara. São Paulo : Ed. dos Autores, 1988 (teatro).
ASSUMPÇÃO, Carlos de; CUTI [Luiz Silva]. Quilombo de palavras. Franca : Estúdio MIX, 1997 (CD - poemas).
CUTI [Luiz Silva]; FERNANDES, Maria das Dores (Orgs.). Consciência Negra do Brasil: Os Principais Livros. Belo Horizonte : Mazza Edições, 2002. (Bibliografia comentada).
TEXTOS EM ANTOLOGIAS
SOL na garganta. São Paulo : Ed. dos Autores, 1970 (2 contos).
CUTI [Luiz Silva] (org.1-5); QUILOMBHOJE (org.6-26). Cadernos negros 1 a 16 e 18 a 29. São Paulo : Ed. dos Autores, 1978-1993; Quilombhoje/Editora Anita, 1995-1998; Quilombhoje, 1999-2006 (poemas e contos).
COLINA, Paulo (org.). Axé: antologia contemporânea da poesia negra brasileira. São Paulo : Global, 1982.
QUILOMBHOJE (org.). Reflexões sobre a literatura afro-brasileira. São Paulo : Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, 1985 (ensaio).
CAMARGO, Oswaldo de (org.). A razão da chama. São Paulo : GRD, 1986 (poemas).
ALVES, Miriam; XAVIER, Arnaldo; CUTI [Luiz Silva] (org.). Criação crioula, nu elefante branco. São Paulo : IMESP, 1987 (ensaios do I Encontro de Poetas e Ficcionistas Negros Brasileiros, SP, 1985).
DUBOC, Julia (org.). Pau de sebo: antologia de poesia negra. Brodowski : Projeto Memória da Cidade, 1988.
CAMARGO, Oswaldo de. "Antologia Temática". In:_____. Negro escrito. São Paulo : IMESP, 1988 (poemas e conto).
AUGEL, Moema Parente (org.). Schwarze poesie - Poesia negra. Tradução por Johannes Augel. St. Gallen; Köln : Diá, 1988 (poemas em alemão e português).
WILMS, Anno (fotografia). Ismael Ivo - Körper und tanz. Tradução por Aristides Barbosa do poema "Vínculo", de Cuti [Luiz Silva]. St. Gallen ; Berlin ; São Paulo : Diá, 1990 (poema em português, inglês e alemão).
LEHMANN, Reinhardt (Redaktion). ad libitum Sammlung Zerstreuung. nr. 17. Berlin : Volk und Welt, 1990 (poemas em alemão).
BERND, Zilá (org.). Poesia negra brasileira. Porto Alegre : AGE; IEL; IGEL, 1992 (poemas).
AUGEL, Moema Parente (org.). Schwarze prosa - Prosa negra. Tradução por Johannes Augel; Marianne Gareis. St. Gallen ; Berlin ; São Paulo : Diá, 1993 (contos em alemão).
ROWELL, Charles H. (edit.) Callalloo – African Brazilian Literature: a special issue, vol.18, n. 4. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1995 (entrevista, contos e peça teatral, em português e inglês).
ROWELL, Charles H. (edit.) Ancestral House. Colorado : Westview Press, 1995 (conto em inglês).
JATOBÁ, Roniwalter (org.). Trabalhadores do Brasil: histórias cotidianas do povo brasileiro. São Paulo : Geração Editorial, 1998 (conto).
SILVA, Jônatas Conceição da; BARBOSA, Lindinalva Amaro (orgs.). Quilombo de palavras – a literatura dos afro-descendentes. Salvador : CEAO/UFBA, 2000 (poemas).
FONSECA, Maria Nazareth Soares (org.) Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte : Autêntica, 2000 (ensaio).
FIGUEIREDO, Maria do Carmo Lanna; FONSECA, Maria Nazareth Soares (orgs.). Poéticas Afro-Brasileiras. Belo Horizonte : Mazza : PUC Minas, 2002. (ensaio).
KENNEL, Odile; WOHLFAHRT, Thomas (orgs.). Weltklang – Nacht der Poesie. Berlin : Edition Diá, 2002 (poemas em alemão).
FELISBERTO, Fernanda (org.). Terra de Palavras. Rio de Janeiro : Pallas; Afirma, 2004 (conto).
A PALAVRA NEGRO
A palavra negro
tem sua história e segredo
veias do São Francisco
prantos do Amazonas
e um mistério Atlântico
A palavra negro
tem grito de estrelas ao longe
sons sob as retinas
de tambores que embalam as meninas
dos olhos
A palavra negro
tem chaga tem chega!
tem ondas fortesuaves nas praias do apego
nas praias do aconchego
A palavra negro
que muitos não gostam
tem gosto de sol que nasce
A palavra negro
tem sua história e segredo
sagrado desejo dos doces vôos da vida
o trágico entrelaçado
e a mágica d'alegria
A palavra negro
tem sua história e segredo
e a cura do medo
do nosso país
A palavra negro
tem o sumo
tem o solo
a raiz.
Fonte:
www.cuti.com.br
24 de Outubro - Nascimento do poeta e jornalista Oswaldo de Camargo, co -fundador do Quilombhoje / 1936

A quem interessar possa: quem é Oswaldo Camargo
(Entrevista concedida ao Portal Afro) "Oswaldo de Camargo é jornalista, poeta, contista, novelista e músico amador. Acha pouco? Saiba que provavelmente seja a maior autoridade brasileira em literatura negra. Desde os 17 anos, Oswaldo de Camargo dedica-se a literatura e a seu acervo literário, um dos mais brilhantes quando o assunto é negritude. Nascido em 1.936, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, ele é um dos responsáveis pela inclusão da literatura negra no circuito cultural do Brasil. Dono de um raciocínio ágil e aguçada inteligência, Oswaldo de Camargo surpreende por todo conhecimento que possui sobre os escritores negros brasileiros e livros que tratam da temática negra. Sobre este assunto, publicou em 1987 "O Negro Escrito", pela Imprensa Oficial do Estado, um dos raros trabalhos a tratar dos ainda marginalizados autores negros. Acompanhe a entrevista concedida pelo grande estudioso e descubra o maravilhoso mundo da literatura. Boa leitura! Portal – Podemos usar a expressão "literatura negra"? Existe literatura negra? Oswaldo de Camargo - Acredito que a partir do momento que o negro resolve falar de sua realidade e identidade como negro, trazendo as marcas de sua história, mesmo dentro de uma língua portuguesa, ortodoxa, acadêmica, que seja, se ele conseguir fazer isso com arte e se essa literatura estiver sancionada por uma produção, ela existirá. A produção existe. É fato. Portanto, atestada pela produção, a literatura negra existe. Quando o negro pega suas experiências particulares e traz, sobretudo o "eu", a persona negra, com suas vivências, que um branco pode imitar mas não pode ter, o nome que damos a isso é literatura negra. Portal – Quando surge essa literatura negra no Brasil? É possível identificar suas fases até os dias atuais? Oswaldo de Camargo - Ela começa a existir a partir do momento que o negro olha para si mesmo e passa a contar como negro suas experiências particulares, suas memórias, sua vida, suas diferenças, sua identidade, mesmo que esta escrita tenha como base um português camoneano. A grosso modo podemos iniciar este movimento com Luís Gama ao escrever o poema "Bodarrada", que traz o problema da identidade negra. Um texto como "Bodarrada" só poderia ter saído de um negro. O branco não pode idealizar isto, pois o autor está trazendo sua experiência particular de negro. É verdade que podemos citar, no século XVIII, Domingos Caldas Barbosa, mas aí de uma maneira mais enfraquecida, o "Eu", mesmo, aparece apenas com Luís Gama. Depois vem Cruz e Souza com "Consciência Tranqüila", "Escravocratas" e sobretudo "Emparedado". Essas obras são particularíssimas, jorram de dentro de um "Eu" negro. Continuando, podemos lembrar Lima Barreto e dizer que uma nova fase da literatura negra se inicia em 1926, quando aparece a figura de um poeta pobre e pequeno, Lino Guedes, que escreve com os olhos voltados para a comunidade negra. A diferença é que Luiz Gama e Cruz e Souza escreveram sobre o negro, mas não para um público negro. Já Lino Guedes escreve como negro, sobre o negro, para o negro, num momento de ebulição cultural e social. Não podemos considerar a obra de Lino Guedes como grande literatura, mas vale como marco do começo da negritude no Brasil. Depois vem Solano Trindade com sua poesia política, contestatória e marxista, que dá um rumo de grandeza à literatura negra cantando e exaltando Zumbi dos Palmares. Um contraponto ao trabalho de Lino Guedes, que era católico e moralista. Podemos dizer que a literatura negra atual segue essas duas tendências, somadas às influências africanas e sobretudo norte-americanas. Portanto, podemos ordenar desta forma: Domingos Caldas Barbosa, Luís Gama, Cruz e Souza, Lima Barreto, Lino Guedes e Solano Trindade. Portal - Todos estes nomes seriam nomes guias? Oswaldo de Camargo - Sim, são nomes guias. Portal - Então Solano Trindade seria o último grande nome guia? Oswaldo de Camargo - Diria que sim, pois para que possamos medir a importância de um escritor, de sua obra e vislumbrar até que ponto ela influenciou a produção literária de seus sucessores é preciso esperar 30, 50. Portal – A literatura africana influenciou ou influencia a literatura negra produzida no Brasil? Oswaldo de Camargo – O escritor negro brasileiro está muito desvinculado da questão africana. Quando ele escreve, está usando os padrões europeus, latinos, padrões herdados por uma cultura, digamos, ocidental. A literatura africana foi na maior parte ágrafa (sem escrita). Nossa literatura negra está enrolada com a literatura ocidental, sobretudo com a norte-americana, francesa, portuguesa e etc. Portal - A influência da literatura norte-americana é boa? Não seria mais interessante uma maior proximidade com a produção africana? Oswaldo de Camargo - Não. Nossa realidade está muito mais próxima da norte-americana. O escritor negro brasileiro conhece muito mais os conflitos e as questões de identidade do negro norte-americano. O africano não passou por isso. Estou falando da diáspora. O escritor africano não foi desraizado, mesmo com a invasão do colonizador ele não foi retirado de sua "casa" e mandado para uma terra estranha. Já os norte-americanos, assim como os brasileiros carregam esta herança. Então, quando o negro escreve no Brasil, ele naturalmente tem mais afinidade com o negro dos Estados Unidos. Uma unidade nascida da experiência comum da diáspora, que foi fundamental. Portal – Então, diante desse histórico, não há condições para uma unidade ideológica entre a produção brasileira e africana? Oswaldo de Camargo - A produção literária vem do subconsciente. O escritor não é um ser que escreve à toa. Ele mesmo determina o rumo que quer dar à sua obra. O ímpeto que leva africanos e brasileiros a escrever são diferentes. Os africanos "lutam" contra um invasor, nossa luta é pela afirmação de uma identidade, que foi esfacelada. Nós estamos tentando nos recompor, os africanos estão se defendendo. Portal – A literatura produzida por brancos que falava de negros foi prejudicial à "causa negra"? Oswaldo de Camargo – Depende muito do escritor. Por exemplo, Trajano Galvão, que iniciou no século XIX com os ventos do romantismo, olhou ao redor de si, descobriu o negro na senzala. e começou a escrever poemas, a grande linguagem da época, a respeito disso. Foi muito válido, foi muito bom. Ninguém tinha interesse em escrever sobre escravos. Escravos não mereciam literatura. Ninguém se deteria a analisar psicologicamente um escravo, que era apenas uma coisa, um vazio, no mesmo patamar dos animais. Então Trajano Galvão passa a se interessar e ergue o negro a condição de objeto de literatura. Foi uma valorização. Feita por branco? Sim, mas somente poderia ter sido feita por branco, que detinha a literatura naquela época. "Para que surja uma literatura é necessário que haja um caldo literário. E esse caldo já existia no Brasil. Já existiam vários poetas brancos escrevendo sobre negros. Mulatos também escreviam, mas não voltados para a negritude. Veja bem, naquela época, a partir do momento que o mulato escrevia, ele já não era mais considerado como negro. A partir do momento que ele aprende a ler e escrever, viaja para Lisboa e ascende socialmente, ele obscurece suas raízes negras. Portanto não produz essa literatura negra. Ele não tem conflitos de negro. Ele não tem conflitos de cor. Ele não pensa no fator cor. Ele vive com naturalidade a ilusão de ser um branco, por ter ascendido socialmente. Culturalmente era um branco. Então sua produção será geralmente a produção de um branco. Como escritor ele será um branco." "A única exceção que encontraremos no século XVIII será Domingos Caldas Barbosa. Um mulato que volta seu olhar para sua cor e escreve sobre isso. Não é a toa que Manuel Bandeira cita-o como precursor da poesia brasileira. Ele, um mulato, que foi chamado de orangotango por Bocage e de macaco por outros. Foi ridicularizado e humilhado por ter ousado entrar nos palácios, recitando e cantando o lundum, um rítmo de negros. Os intelectuais da época zombavam dele. Ele era satirizado pelos outros escritores. Tudo isso por assumir sua cor e ascendência." Portal – Existe algum elo que une os escritores brasileiros a outros de mesma língua (portuguesa)? Oswaldo de Camargo – O fator primordial não é a língua. A personalidade do escritor é que irá dar a cor para a língua. É como Kafka, que nasceu em Praga e fala o alemão. Não houve um encadeamento de experiência de escritores africanos de língua portuguesa com os brasileiros. É difícil imaginar que o escritor apenas por comungar a mesma língua irá compartilhar das mesmas experiências. Não esqueçamos da diáspora... "... Esta experiência enorme de sermos descendentes de escravos marca profundamente toda nossa produção e nossa vida. Tudo que fazemos está marcado pelo fato de sermos netos e bisnetos de escravos. Essa lembrança não se arreda tão facilmente. Portanto, nossa produção terá essa marca, é isto que a torna singular, diferente. É isto que justifica chamarmos o que escrevemos de literatura negra... quando ela tem os quesitos de arte..." Portal – Como podemos identificar essa literatura que é arte? Oswaldo de Camargo – É quando lemos um texto que tira o melhor partido das palavras, que se adapta perfeitamente ao que ele quer expressar e esta adaptação não é um texto científico, um compêndio, é um texto com arte. O escritor manipula a palavra com arte. Ele não quer apenas que o texto traga indícios de uma realidade e sim uma coisa complexa, um instrumento que vai mostrar, vindo do subconsciente, uma outra realidade, de uma maneira atípica. A visão do escritor é realista ou supra-realista, que pode mostrar uma realidade muito além do que se imagina, quando for verdadeiro. Caso não seja verdadeiro, não se discute... Não adianta discutir... Não entrou no subconsciente... ... Como dizia Carlos Drummond de Andrade: usar a chave... ele não abriu nenhuma porta... O grande verso do Drummond é "trouxe a chave?" Infelizmente, boa parte de nossos escritores não possui a chave... Portal - Será por isso, então que a literatura negra é tão pouco representativa? Oswaldo de Camargo - A literatura de modo geral é um instrumento frágil para se sustentar, independente de ser branca ou negra. Sozinha, a literatura é fraca, por trabalhar com a palavra. Ela não tem as atenções da mídia como tem a música e até mesmo as artes plásticas, por se aproximar mais de uma arte utilitária. Se você não faz então uma literatura academiável, que possa ser discutida em universidades, propositalmente você se marginaliza, pois seu tema é marginal. Você estará usando o instrumento literário para tratar de assunto que não é usual, um assunto que se ocupa da proporção mais empobrecida, menos respeitada, historicamente desvalorizada da sociedade brasileira... E tem mais, a literatura não é apenas escrever, ela tem que vender. As editoras não querem apenas um bom texto, elas querem é vender. Nenhum editor, com raras exceções, publica um texto apenas por sua beleza, ele quer é vender o livro. Portal – Mas aí ele não tem os mesmos critérios... Oswaldo de Camargo – Não tem. Nem pode ter, pois essa literatura não esta imbricada num processo tradicional do negro escrever. O negro escreve pouco. Portal - E lê pouco. Oswaldo de Camargo - Talvez até por isso. Percebe como é complexo? Por melhor que seja um livro com temática negra, ninguém garante que haverá um publico enorme para ele, pois o grau de impregnacão de uma realidade negra que o escritor quer propor, não existe na sociedade brasileira. O norte-americano já tem esta possibilidade. A sociedade americana está impregnada de uma questão negra, por fatores históricos, etc. A sociedade branca brasileira não é seduzida por este assunto, pelo contrário, esse tema nem existe para ela. Não existe uma questão negra para o brasileiro, em geral. Portanto uma literatura concebida com padrões negristas não terá a ressonância que tem um texto negro nos Estados Unidos. A sociedade americana, até por seu pragmatismo, proporciona ao escritor muito mais chance de vender, justificando um investimento, do que um escritor negro brasileiro de mesma capacidade. O escritor negro brasileiro é um grande herói. Ele aposta muitas vezes no vazio. É um profeta que acredita a despeito de tudo. E eu como um dos mais velhos escritores desta época, estou vendo que vale a pena apostar. Portal – Mas o senhor é uma instituição. Oswaldo de Camargo - Não sei... Sei apenas que sou um dos mais velhos. Sou um dos poucos que conviveu com Solano Trindade, o que foi uma grande honra. Comecei muito cedo e digo que vale a pena apostar Quando você escreve um texto nunca se pode prever seu caminho. Este texto pode começar a falar de verdade depois de 50 anos, então é um ato de aposta. Mas vale a pena de fato tentar traduzir, fazer uma nova leitura do país, escrevendo poema, conto, novela, ensaio, dentro de uma visão negra que o branco não poderia ter dado nunca, por não ter a vivência especifica do negro. Portal – Se o negro brasileiro não lê e o branco que lê não se interessa por nossos assuntos, para quem o escritor negro escreveria? Oswaldo de Camargo – A pergunta é interessante. Mas, em primeiro lugar o escritor escreve para ele mesmo. Como falou Dostoievsky.. "Eu escrevo para espantar meus demônios." O escritor precisa expor o que sente, dividir o que tem com os outros, mas primeiro consigo mesmo. Portal – É um ato de angústia, então? Oswaldo de Camargo - Sim, por que não? Ele pega um fato de sua infância, um amor frustrado, por exemplo. Frustração é que faz boa literatura e não o que dá certo. É por isso que a pessoa equilibrada não pode ser um bom escritor. Um pai de família que chega em casa tira os chinelos, beija a mulher, beija os filhos, senta-se à mesa, nunca poderá ser um bom escritor. Escrever é um ato de desencontro, de angústia. Ele vai escrever para compensar o que não é, desde que tenha talento. É a sublimação pela arte: Eu sou nada socialmente, mas sou um príncipe escrevendo. E este canto é o canto da liberdade, eu escrevo o que quiser. Posso ser um santo ou um demônio escrevendo... Portal – Canto da liberdade...A literatura seria uma das possibilidades de nós negros sermos livres? Oswaldo de Camargo – Sim. "Mas ter talento não basta para ser escritor. Existe todo um aparato para chegar a ser um bom escritor. É preciso saber entender o termo de uma palavra. A palavra pesa. A diferença entre a palavra "belo" e "bonito" pode modificar totalmente o sentido de um texto. O escritor é um alquimista do verbo. Ele tem o dom da mágica, é um demíurgo, cria um mundo com palavras. Para se fazer isto tem que se preparar, "ter a chave", e isto passa pela observação da obra dos outros, pela leitura, pela obsessão por alguns textos que marcaram sua vida. Até para imitar... Não existe um escritor sem outro escritor. Portal – E nem sem leitor... O senhor é otimista? Acredita na formação de uma geração de jovens negros brasileiros interessados por literatura? Oswaldo de Camargo – Este é um fenômeno geral. Não acontece apenas com o negro. Não existe uma questão negra isolada da realidade brasileira. Este drama da leitura é um drama geral do Brasil. A leitura não se tornou um hábito, uma paixão, uma obsessão. O Brasil seria outro país se houvesse a obsessão da leitura. A realidade brasileira seria melhor pensada. Haveria uma crítica violenta à estrutura partindo das grandes massas. A vida religiosa seria outra. Eu sou católico. Aqui é somente por tradição, pois as verdades religiosas profundas não são conhecidas... "Qual a força do Japão pós-guerra? Qual a força da Alemanha pós-guerra?. Cultura. E a cultura passa necessariamente pela leitura". "No século VIII foi escrita a Ilíada, de Homero, que se tornou a educadora da Grécia, que era lida pelos poetas ambulantes para o povo, nas casas, nos palácios. Hoje quem substitui Homero é a televisão. Ela está educando? Não, pelo contrário, está nivelando da maneira mais baixa possível, o que interessa a muita gente. E grande parte destas pessoas influenciadas por este subproduto continua sendo negra e miscigenada, que são os que detém as condições de dar o pulo, de dar o salto..." Portal - A vaidade maior de um escritor é ser lido? Oswaldo Camargo – Sim, mas pelo bom leitor, pelo leitor inteligente, que troca figurinhas com o autor, que indaga, é raro mas acontece. Aí é o prêmio máximo. Mas voltando à vaidade, minha vaidade é ter persistido num mesmo rumo. Muitos desistiram e eu consegui. Este é meu grande orgulho. Portal – Falando em persistência, os Cadernos Negros chegam à sua 23ª edição. Qual sua opinião sobre os Cadernos? Oswaldo Camargo - É uma proeza inédita no país, pertence à vida da resistência negra neste país. Examinar literariamente o peso disto já é outra história, uma coletânea é uma coletânea... Se em cada Caderno aparecer pelo menos um escritor com um texto legitimo terá valido a pena. Os Cadernos devem ser elogiados por sua persistência, por serem uma grande referência neste roteiro do negro trazer sua experiência particular de literatura. É uma referência obrigatória. Portal – O que o senhor pensa dos escritores brancos de hoje que escrevem sobre vivências e temas negros? Oswaldo de Camargo – Não há nenhuma novidade nisto. É um branco interessado no assunto. Ele fez. A visão dele irá somar-se a outras visões. É uma visão possível. Um branco também vê. O branco está fronteiriço ao problema negro, mesmo sendo da alta sociedade, mas ao lado, a quinhentos metros há uma favela. Mas que fique claro, ele não está fazendo uma literatura negra, está fazendo um livro de sociologia, de etnografia, de recolha de conhecimentos sociais. Quando eu falo de literatura negra, falo sobretudo daquilo que torna a literatura um ato neurótico. Você cria um mundo de um nada, aparentemente nada, mas este nada é você, seu subconsciente, sua memória... Neste campo eles não entram. Vários escritores brancos já escreveram com muita categoria, Florestan Fernandes, Otaviani, Roger Bastide e outros... Mas não peça-lhes para entrar neste campo da literatura que é criar com palavras um mundo calcado tão só na experiência particular de um temperamento. "Eu como negro sou um escritor, meu mundo é outro. Até pela geração que pertenço, pela religião que me salva e por minha sensibilidade... O escritor criará um mundo de dentro de si mesmo. Eis o ato neurótico. É o vazio e de repente o mundo."
Fonte: Blog da Cidinha
24 de Outubro - Nascimento de Esmeralda Ribeiro - Poeta e uma das coordenadora do Quilombhoje / 1958

ESMERALDA RIBEIRO (Brasil). Jornalista, escritora e pesquisadora da literatura afro-brasileira. É integrante desde 1982 do Quilombhoje Literatura, grupo de escritores afro-brasileiros, sediado em São Paulo. Sua atuação no sentido de incentivar a participação da mulher negra na literatura tem sido constante. Tem trabalhos publicados em 27 antologias no Brasil e no exterior.
Ressurgir das cinzas
Sou forte, sou guerreira,
tenho nas veias sangue de ancestrais.
Levo a vida num ritmo de poema-canção,
mesmo que haja versos assimétricos,
mesmo que rabisquem, às vezes,
a poesia do meu ser,
mesmo assim, tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caído ao chão".
Sou destemida,
herança de ancestrais,
não haja linha invisível entre nós
meus passos e espaços estão contidos
num infinito tonel,
mesmo tendo na lembrança jovens e parentes que, diante da batalha deixaram a talha
da vida se quebrar,
mesmo tendo saudade cultivada no portão.
Mesmo assim, tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caída ao chão" .
Sou guerreira como Luiza Mahin,
Sou inteligente como Lélia Gonzáles,
Sou entusiasta como Carolina de Jesus,
Sou contemporânea como Firmina dos Reis
Sou herança de tantas outras ancestrais.
E, com isso, despertem ciúmes daqui e de lá,
mesmo com seus falsos poderes tentem me aniquilar,
mesmo que aos pés de Ogum coloquem espada da injustiça
mesmo assim tenho este mantra eu meu coração:
"Nunca me verás caída ao chão".
Sou da labuta, sou de luta,
herança dos ancestrais,
trabalhar, trabalhar, trabalhar,
mesmo que nos novos tempos irmãos seduzidos
pelo sucesso vil me traiam, nos traiam como judas
sob a mesa,
meu, ganha-pão.
Mesmo que esses irmãos finjam que não nos vêem,
estarei ali ou onde estiver, estarei de corpo ereto,
inteira,
pronunciando versos e eles versando sobre o poder,
mesmo assim tenho esse mantra em meu coração
"nunca me verás caída ao chão".
Me abraço todos os dias,
me beijo,
me faço carinho, digo que me amo, enfim,
sou vaidosa espiritual,
mesmo com mágoas sedimentadas no peito,
mesmo que riam da minha cara ou tirem sarro do meu jeito,
mesmo assim tenho esse mantra em meu coração:
"Nunca me verás caída ao chão".
Me fortaleço com os ancestrais,
me fortaleço nos braços dos Erês.
podem pensar que me verão caída ao chão,
saibam que me levantarei
não há poeiras para quem cultua seus ancestrais,
mesmo estando num beco sem saída, levada por um mar de águas,
mesmo que minha vida vire uma maré,
vire tempestade, sei que vai passar.
Porque são meus ancestrais que se reúnem num ritual secreto
para me levantar.
Eu darei a volta por cima e estarei em pé, coluna ereta,
cheia de esperança, cheia de poesia e com muito
axé
por isso, desista,
tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caída ao chão.
RIBEIRO, Esmeralda. Cadernos negros,vol 27:poemas afro-brasileiros.São Paulo:quilombhoje,2004.
16 de Outubro - Wole Soyinka - Primeiro africano a receber o Prêmio Nobel de Literatura / 1986

Wole Soyinka (Abeokuta, 13 de julho de 1934) é um escritor nigeriano.
Foi agraciado com o Nobel de Literatura de 1986. Muitos o consideram o dramaturgo mais notável da África.
Soyinka nasceu em uma família humilde de origem iorubá em Abeokuta, Nigéria. Ele fez o primário escolar em Abeokuta e o secundário no Government College, em Ibadan. Soyinka fez faculdade na University College (1952-1954), em Ibadan, e na University of Leeds (1954-1957), na Inglaterra, onde ele se formou com menção honrosa em Literatura inglesa. Ele trabalhou no Teatro da corte real (Royal Court Theater) em Londres antes de retornar a Nigéria para se dedicar ao estudo da dramaturgia africana. Soyinka lecionou nas universidade de Lagos e Ife (tornando-se professor de Literatura comparativa nesta instituição de ensino em 1975).
Soyinka participou ativamente na história política da Nigéria. Em 1967, durante a Guerra civil nigeriana, ele foi preso pelo Governo federal mantido em confinamento solitário na prisão por suas tentativas de mediar a paz entre os partidos em guerra. Na prisão ele escreveu poemas que mais tarde viriam a ser publicados em uma coleção sob o título Poems from Prison. Soyinka foi liberado vinte e dois meses mais tarde após haver se formado uma conscientização internacional sobre a sua situação. Mais tarde ele recontou a sua experiência no confinamento em um livro: The Man Died: Prison Notes.
Soyinka tem criticado abertamente as administrações da Nigéria e de tiranias políticas mundo afora, inclusive fez denúncias contra o regime de Mugabe de Zimbabwe. Muitos de seus escritos tratam do que ele chama de "the oppressive boot and the irrelevance of the colour of the foot that wears it", ou seja, parafraseando: o coturno opressivo e a irrelevância da cor do pé que a calça. Essas formas de pensar e de se expressar tem causado grande risco de vida ao autor, especialmente durante o governo do ditador nigeriano Sani Abacha (1993-1998). Durante a ditadura do General Abacha, Soyinka se retirou de seu país de origem em exílio voluntário (passando a maioria desse tempo nos Estados Unidos onde lecionou na University of Emory, na cidade de Atlanta. Quando do retorno do governo civil na Nigéria, em 1999, Soyinka aceitou emérito da Ife (agora Obafemi Awolowo University, mas somente com a condição de que nenhum dos ex generais do regime prévio jamais fossem designados como chanceller da universidade no futuro. Após algum tempo na África, ele passou a ocupar a cadeira Elias Ghanem Professor of Creative Writing no Departamento de inglês da University of Nevada, na cidade de Las Vegas, Estados Unidos.
Fonte: Wikipédia
16 de Outubro - Reverendo Desmond Mpilo Tutu recebe o Prêmio Nobel da Paz em 1984.

O Reverendo Desmond Mpilo Tutu (Klerksdorp, Transvaal, África do Sul 1931) é um clérigo e pacifista sul-africano que adquiriu fama internacional durante a década de 1980 por causa de sua oposição ao Apartheid. Tutu foi o primeiro sul-africano negro a ser eleito e ordenado como Arcebispo Anglicano de Cidade do Cabo (África do Sul), e depois Primado da então Igreja da Província de África Meridional (atualmente Igreja Anglicana de África Meridional). Foi reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz em 1984.
É dele a expressão "Nação do Arco Íris" para descrever metafóricamente a África do Sul posterior ao Apartheid (em 1994 com o triunfo do ANC). A expressão se incorporou desde então para descrever a diversidade étnica da África do Sul.
Nascido em 7 de outubro de 1931 na população sul-africana de Klerksdorp, emigrou com sua família aos 12 anos para Johannesburgo. Ainda que queria ser médico, orientou sua educação ao ensino devido sua família não poder pagar-lhe estudos mais custosos. Licenciou-se em 1953 na Universidade Bantu de Pretoria, sendo posteriormente professor do secundário no Instituto Bantu de Johannesburgo, onde esteve até 1957. Aquele ano demitiu-se de seu cargo, denunciando a precariedade do ensino para os negros. Continuou seus estudos de teologia, e em 1960 foi ordenado sacerdote anglicano.
Entre 1962 e 1966 viajou a Londres onde recebeu um master em teologia, retornando posteriormente a seu país. A partir daquele momento realizou conferências denunciando a precariedade da situação dos negros em seu próprio país, e advertindo que a situação de cordialidade entre brancos e negros (baseada na submissão dos segundos) podia estourar a qualquer momento. Em 1972 foi designado vice diretor do fundo teológico de educação do Conselho Mundial de Iglesias, e na sua volta a África do Sul em 1975 foi ordenado bispo da Igreja da Província de África Meridional, o primeiro negro em sua história.
Em 1976 se realizaram os emblemáticos protestos de Soweto contra a obrigação do uso do Afrikaans como língua de instrução nas escolas negras, convertendo-se numa revolta em massa nacional contra o apartheid, revolta na qual Tutu tomou parte ativa, dando suporte ao boicote econômico internacional contra seu país.
Bispo de Lesotho entre 1976 e 1978, foi nomeado no último ano Secretário Geral do Conselho Sul-africano de Iglesias, continuando assim sua luta contra o apartheid com o acordo de quase todas as igrejas cristãs de África do Sul. Tutu advogou constantemente pela reconciliação entre todos os grupos implicados no apartheid, denunciou constantemente ao governo branco minoritário por sua política racista contra a maioria negra, mas também condenou os grupos "anti - apartheid" que efetuavam ou propiciavam atuações violentas e terroristas como o Congresso Nacional Africano e diversos grupos de extrema esquerda.
Em 16 de outubro de 1984 foi concedido o Prêmio Nobel da Paz por sua constante luta contra o apartheid.
Em 7 de setembro de 1986 foi ordenado Arcebispo da Igreja da Província de África Meridional , sendo novamente o primeiro homem negro em conseguí-lo, ocupando seu cargo de Arcebispo de Cidade do Cabo entre aquele ano e 1996. Junto ao fim oficial da política de apartheid, Tutu foi nomeado diretor da Comissão para valer e Reconciliação criada pelo recém eleito Presidente da África do Sul Nelson Mandela. Atualmente faz parte das 18 personalidades mundiais que dão apoio à Aliança de Civilizações. É membro do Comitê de Honra da Coordenação internacional para o Decênio da não-violência e da paz, adere à Marcha Mundial pela Paz e a Não-violência.
Fonte:
http://guinebissaumarchamundial.blogspot.com/2008/09/desmond-tutu.html